quinta-feira, 17 de março de 2011

Vou de Férias…

Desculpa T2 era para ir contigo mas manifestaste a intenção de te refugiares com a filhota, fazes bem…queres um conselho foge de Lisboa, vem até à província interior, dessa forma consegues fugir aos efeitos do terramoto previsto para a próxima semana, do subsequente tsunami e dos efeitos da radioactividade pelo estouro da bomba a(na)tómica de sua excelência…não receies as cinzas porque este nosso pais está um verdadeiro cinzeiro onde apenas faltam arder uns quantos. Poeiras, essas não vão faltar, por isso há muita canalha a tentar atirá-la aos olhos do povo (se ao menos me atirassem com a Leonor).


O título deste post era para ser igual ao teu porque vou igualmente de férias…preciso, porque os meus últimos tempos têm sido muito complicados (alguns por mim).

São férias relativas as minhas, porque continuo a ver do sítio onde me encontro a chaminé da minha casa. Podia esperar pela queda anunciada do Governo mas vou antes PE(C) ante PE(C) aguardando que algo surja de novo. Pressinto que nos vai sair um Coelho da (c)artola, esperemos que tenha tola e não seja apenas mais um artola. A fé é pouca, mas se existem coisas más é que porque as boas são possíveis.

Vou aproveitar para começar por responder aos censos com todo o senso sem me esquecer do meu verdadeiro género.

Sou um amante da natureza e aproveitarei, sem dúvida alguma, o tempo para admirar os eminentes papagaios, pavões e melros de bico amarelo que passarão os dias a chilrear e a anunciar a boa nova da salvação…provavelmente iremos todos ficar encantados com tanta cantoria.

“luta, Luta, camarada luta” é o que continuarei a fazer nas minhas “férias”.

Fiquem bem, voltarei um dia (ai esta mania que sempre tive de hibernar e de metamorfosear

terça-feira, 15 de março de 2011

O discurso de sua excelência!

Sou excelência discursou.


Nada de novo ou antes nada que já não se soubesse.

Sua excelência quer que a barca dobre o cabo das Tormentas…

Do Teatro de Gil Vicente à comédia trágica actual as semelhanças estão nos jograis.

Sua excelência discursou à espera que o liquidem, tentando liquidar quem o gostaria de liquidar mas não tem coragem, nem luz verde para cometer tal acto.

Estamos bem mas podíamos estar pior se não fosse ele a orientar. Dizer que os outros são piores é o mesmo que dizer que é o maior.

Sua excelência é um convencido, tão convencido que começa a ficar distraído.

Sua excelência está certa na sua mente perversa.

Sua excelência é única.

Sua excelência é uma ameaça.

Sua excelência é a nossa desgraça.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Confissão

Confesso que às vezes não me conheço.


Confesso que não tenho falta de apetites.

Confesso que por vezes me aborreço.

Confesso que a vida é controlada por limites.



Confesso que já traí.

Confesso que me perdi.

Confesso que já senti

Confesso que gosto de ti.



Confesso que sou injusto.

Confesso que te aprecio.

Confesso que tive um susto.

Confesso que estou com cio.



Confesso que não mereço

Confesso que te admiro.

Confesso que tenho um preço.

Confesso que não sou giro.



Confesso que te perdi.

Confesso que sou teu servo.

Confesso que …

Confesso que…

Irra tanto confesso…

Já nem sei porque me enervo.



Escrevo esta confissão que me retrata num momento de imensa tristeza e de comiseração para com a vida, a minha e a dos outros. Não é que o confesso me livre do purgatório, porque a barca do inferno que me transporta nesta santa hora não ruma para o céu. Para que me serve o céu, onde se pavoneiam as estrelas? De que me serve ser virgem pura e imaculada?

Rodeados de mentirosos já não sei para onde vou…nem eu nem uns tantos como eu que bem querem remar contra a maré. Professores, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, gente útil mas tratada como produto de consumo imediato até ao tutano. Querem saber a verdade, sinto-me como um preservativo, útil para a função que se presta mas que no final do acto se atira para o lixo…

sábado, 12 de março de 2011

No meu jardim

No meu jardim, há flores assim:


Qual arco-íris da vida.

Com Cores que não descrimino,

Tão frágeis que são p’ra mim

Que trato com muito mimo.

Tal e qual como as mulheres

Que das minhas mãos se aproximam

Mulheres que sofrem as dores

Dores com o efeito de um íman.

Que alguma coisa escondida

Apesar de muito atento

Não venha tirar-lhes a vida

No antro do sofrimento!

No meu jardim também há

Ervas rascas, ásperas, daninhas.

De nada valem por lá

Nem p’ra ninhos de andorinhas.

O meu jardim é um momento

De encanto e sofrimento

O meu jardim é um lamento

Faça sol, chuva ou vento!

No meu jardim eu só queria

Ser feliz todos os dias.

Por ver que no seu espaço

Não entram coisas tão frias.

E de todas elas merecer

Um forte e quente abraço!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Para pensar…

Hitler tentou conquistar a Europa, o dinheiro está prestes a conseguir esse feito…

Portugal foi até ao norte de África para levar ideais e perdeu-se, mas não se livra da invasão de ideias vindas daqueles lados…


A luta é alegria, onde está a novidade se já há cerca de quarenta anos se cantava que quando o pão que se come sabe a merda…o que faz falta é animar a malta…

“…à rasca…” já o meu bisavô se viu e desejou para criar o meu avô que comeu o pão que o diabo amassou para criar o meu pai, que passou fome para me criar a mim que não consigo dar ao meu filho aquilo que eu gostaria de lhe poder dar para que os filhos dele não passem o que eu passei…sempre à “rasca”…começo a pensar que “rasca” é um estado de espírito…

Vou ali e já venho!

sexta-feira, 4 de março de 2011

A regressão

Reconheço que quando passei pelo antigo Liceu apesar da minha querida professora de Língua Portuguesa (que Deus a tenha em descanso) me tentar demonstrar o interesse da obra de Camões, a minha esquerdite revolucionária alinhada pelos marxismos –leninismos da altura não despertou em mim tal interesse.


Passou o tempo e a mente acalmou, em muitos dos casos porque a aprendizagem alcançada de que se não os podemos vencer então o melhor é juntar-nos a eles…para o melhor e para o pior.

Eis-me sentado num sofá e não é que o o baço daquele livro de capas encarnadas (não é o livro do meu glorioso SLB, do tempo do Vale e Azevedo) me saltou para vista, apelando-me:”Agarra-me, abre-me, deleita-te comigo, tenho saudades das tuas mãos!”

Então não é que os Lusíadas se atiraram a mim!

Carinhosamente (o livro custou dinheiro aos meus pais e a fartura naquele tempo não era nenhuma) lembrei-me que a ilha dos amores me poderia satisfazer depois de constatar a vil miséria dos canais televisivos…calmamente pensei e se fosse ao VIII! Dedo a dedo fui tocando uma página de cada vez até atingir o dito canto.

O quê? Não é que Camões me fala da amargura do dinheiro?

“Este rende munidas fortalezas:


Faz traidores e falsos os amigos;


Este a mais nobres faz fazer vilezas;


E entrega capitães aos inimigos;


Este corrompe virginais purezas;


Sem temer de honra ou fama alguns perigos;


Este deprava às vezes as ciências,


Os juízos cegando e as consciências;





Este interpreta mais que sutilmente


Os textos; este faz e desfaz leis;


Este causa os perjúrios entre a gente


E mil vezes tiranos torna os reis…”

(Camões, os Lusíadas, cantoIII:98/99)

Alto! Para aí, murmurei baixinho!

Isto é o que se passa hoje! Norte de África, médio Oriente, petróleo, Eurocrise, Freeport, prostituição, tráfico de seres humanos, corte dos vencimentos, corrupção, medidas e desmedidas orçamentais e todo o perjúrio que o metal provoca….

Que Deus nas suas imensas formas, de Alá a Buda, Maomé e quem quiserem nos ajudem. Estão a ver quando o Luís Vaz escreveu isto, não estão? Estamos em 2011 e a porcaria continua na mesma.

Fiquem bem, vou passar o Carnaval a qualquer lado, talvez num T3 ali para os lados do Tejo, voltarei depois da moção do dia 10, da manif do dia 12 quem sabe apareça o D. Sebastião é que já estou farto de Mostrengos e de Velhos do Restelo…



Regredi! Que querem!

Divirtam-se comigo e como eu!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um vaticínio…

Camões escreveu:


“De Formião, filósofo elegante


Vereis como Annibal escarnecia,


Quando das artes bélicas diante,


Dele com larga voz tratava e lia.


A disciplina militar prestante


Não se aprende, senhor, na fantasia,


Sonhando, imaginando ou estudando,


Senão vendo, tratando e pelejando.


(Os Lusíadas, canto x:153/154)



Dedico este excerto aos embaixadores que se deslocaram a Berlim, dois pastéis de nata embarcados ali para os lados de Belém, espero que quando chegarem ao fim da peleja não me venham dizer: “…ora bolas (de Berlim).

Contudo, não sei se os ditos leram Camões com atenção, espero bem que sim, já que não os vejo como Annibal montados em elefantes trombudos… (ai esta geração que funciona a pilhas eléctricas).

Não me canso de dizer que a história se repete. Será que a Angelazinha de Berlim vai tramar os formosos e tenros pasteis da Portugália?

É que o Annibal tramou-se por causa de uma mulher…triste sina a nossa e a minha!