Se fosse ver-te num tempo
que pequeno se adivinha
fosse manhã ou noitinha
Que bom seria o momento
Pois tua rosa era minha!
Mas não, isso não foi possível
e deleito-me no teu jardim
Mulher, que és sensível...
deixas contudo em mim
teu perfume previsível!
E neste momento de Abril
onde não posso chegar,
Sejas rosa ou sejas cravo
das flores seria eu escravo
e em tua cama de pétalas
farias meu aconchegar!
Mas eis que Maio se entrega
Em meu corpo deprimido...
Num aparente movimento sem sentido,
Rebola, contorna e meu corpo esfrega
Deixando-me enlouquecido!
É o teu mês, mês de Maria.
Faço preces, quiçá pouco audíveis!
Ou quem sabe incompreensíveis,
e nesta triste melancolia,
aguardo respostas compatíveis!
Maria, Virgem Santa, meu queixume,
tem amargura e está cheio de lamento
monótono, triste e pachorrento!
Que do branco manto o teu perfume ,
Alivie todo o meu sofrimento!
Alivie todo o meu sofrimento!