terça-feira, 9 de maio de 2017

#umainterrogaçãonodiadamãe

Fosse obra de mero a acaso
Ou desejo marinado 
O ter vindo de Paris
Com nove meses de atraso
E na cegonha viajado
É um dos contos mais feliz.

Quando apurei a verdade
Sei que não foi bem assim!
E já não estou enganado.
Com o meu pai à vontade
A minha mãe fez-me a mim
Levou-me sempre agarrado!

Deixou-me assim os seus genes
Na forma de ver o mundo
E ser aquilo que sou.
É pena sermos perenes
Quando batemos no fundo 
Ao ver que tudo acabou!

De qualquer modo agradeço
A quem sempre me quis bem
De uma forma muito humana.
Mas porque pareço às vezes
Um trapo para alguém
Minha saudosa mãe Joana?

(Mariavaicomasoutras)




#insonias

Apagam-se as luzes da ribalta.
Desaparecem os atores de uma cena interminável
Que decorre mesmo aqui no palco das nossas vidas.
A peça representada roça o limiar de uma tragédia!
Nada nem ninguém aplaude esse momento
Já que o admirável público gelado e atemorizado
Aguardava quadros de uma vulgar comédia.

Mas nos bastidores a parada é demasiado alta!
O incómodo aí presente faz parte há muito da rotina
Não permitindo o abençoado descanso do guerreiro.
No escuro, há um brutal e anormal silêncio que arrepia...
Notam-se apenas os movimentos ofegantes de tudo o que por ali ainda respira.
Cabisbaixo... continuo à espera que a luz de fundo se acenda...
E a maldita da insônia se desfaça por entre o pesadelo da noite que é  sempre desmesuradamente fria!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 6 de maio de 2017

#abraçodoarcoiris

Na minha terra Carreço
Deixando Viana a sul
Deparei-me com o abraço
Que acalma qualquer dor
Quando encontrei um farol
Neste caso em Montedor.
E nesse abraço incontido
Entre o céu e o mar azul
O arco íris sofrido
Em pouco tempo se esvai!
Por se achar intrometido
Entre a água que o afoga
E a terra que o asfixia.
Sendo pouco o ar que resta...
Logo o belo é efemero
Como o é a acrobacia
Das cores no prisma cromático
Num espetro sem sintonia.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

#Maio#

Florido Maio que chegas
Sorrindo com tons de amarelo
Será que agora me negas
Que és o mês da mãe e Maria
Nas crenças que em ti carregas?

E que o teu primeiro de Maio,
Na sua carga emotiva com cariz libertador
Traz nas entranhas as marcas
De um criminoso massacre
Cometido em servis trabalhadores?

Maio... tão florido e aguerrido
Também transportas contigo
Nas turvas águas e atoleiros perigosos 
Muitas chagas, quem sabe se  incuráveis
Do corpo dos esperançosos.

Maio, das maias de infestante beleza
No exotismo da arbustiva giesta
Atemorizadora dos demónios
Na cíclica idolatria das mentes
Sempre que o aroma lhes excita os seus neurónios

És assim um mês tremendo
No mistério, no odor, na cor, na dor.
De ti, nem ao de leve me abstraio
Serei se puder, teu frágil procurador
Meu poético mês de Maio!

(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

#ofimdagrandeza

Perdeu todo o seu tempo a sonhar
Com viagens intermináveis.
Encontrou-se já morta e despida.
Prisioneira sem nunca ter visto mar!
Aqui ficam lições inquestionáveis
Sobre os desígnios de uma vida.
Que nos deixam agora a pensar!

Nunca os sonhos da grandeza
Superam a grandeza do sonhar!

(Mariavaicomasoutras)
#dejavu

No cenário põe-se um rio,
Algo estático na ilusão.
De ambos os lados as margens
Num suposto afastamento
Mas na profundeza unidas,
Divergindo de tal forma no contraste das paisagens.
As árvores, sempre presentes
Ensombrando o verde chão.
Mais um elemento artistico
Adornando esse conjunto.
Que ficará completo... com um banco!
Onde sentados dois seres
Vão falando algum assunto
Cujo tema não me interessa
Enquanto a cena não começa.

- É que eu já vi essa peça!

(Mariavaicomasoutras)
#conversasapenasconversas

Há alguns tempos atrás, eras rei!
de uma qualquer capoeira
Ias impondo o respeito sempre à tua maneira!
Hoje, engalanado pavoneias-te,
Qual intelectual de caserna
Sempre com a mesma cantiga
De manuais da arte antiga.
Querias voar e continuar a mandar?
Mal começasse a alvorada
E mesmo com asa cortada?
Bem podes continuar de pé
A fazer planos pra nada
Como os astutos no café...
Pois toda a gente já viu
Que a pata tens amarrada.
Ficas agora mais perto
De um bando de esfomeados...
Sonhando com cabidela
Ao redor de uma panela!

(Mariavaicomasoutras)