quinta-feira, 19 de julho de 2018

#Oteunome
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
Mentiria se deixasse 
Que mais alguém te tocasse 
E assim te machucasse 
Não deixando que eu te amasse.
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
A agulha dos bordados 
Por entre os fios cruzados 
Diz aos nossos olhos recados 
Com mil e um significados.
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
Recordo com incontida agonia 
Aquele célebre dia 
Em que ver-te eu não podia 
Por falta de ousadia.
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
Contigo eu fui crescendo 
No sair de um sonho horrendo 
Onde me fui convencendo 
Que no bordar há o aprendendo.
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
Inclino-me aqui e agora 
Nessa peça sem demora 
Porque a vida está lá fora 
De uma forma encantadora.
Como é macio o linho 
Onde bordei o teu nome, meu amor!
Apenas guardo um lamento 
Que pulsa a todo momento 
Nesse coração sedento 
De um intenso acasalamento!
Como bordei no linho 
O teu nome tão macio, meu amor!
(Aníbal Panza) 

terça-feira, 17 de julho de 2018

#sorrisomilenar

O nosso conhecimento é curto
Mas tão certo na incerteza
Que ao chegarmos mais longe
Na esperança de um saber
Deparamos com surpresa
Na essência de cada ser.

Nem as agruras da vida
Que até nós trazem o luto
Destroem certos sorrisos
Francos, sinceros, singelos
Num momento em que esqueço
Quão brancos estão meus cabelos!

Conheci-te sempre assim
Menina que foste um dia.
E nesse sorriso eu revejo
Agora mulher que és
A nossa ousada rebeldia
Que afasta qualquer revés.

(Aníbal Panza)

#contemplação

Num ambiente natural e rupestre
Fomos atraídos pelo canto
Invulgar de uma sereia.
Ao longe vês o mar
Esse mesmo que por ali
De rompante
Consegue molhar-me os pés.

A contemplação é uma viagem
De um mundo onde a incerteza
Faz da partida
Um projeto com retorno.

Ouves o silvo da sereia
Que seduzindo vai deixando
A porta aberta de um futuro
Onde a palavra "receio"
Só existe como o berço
Em que nasce a ousadia.

De tudo aquilo
Do que em paz ouves e vês
Está a resposta sem porquês
E o fim...
De um percurso intranquilo!

(Aníbal Panza)





#quemsomosnós?

Há dias assim! Há dias! Há!
Contagiantes, emotivos, desafiantes.
As palavras são o que são
As pessoas são como são
Quem sou eu? Quem é a Lara?
Quem é a Márcia então?

Encontro aqui e ali
Respostas a tais perguntas!
Umas podem ser sonhos
Outras factos reais.
Chego a pensar que nós somos
Especiais... mas iguais aos normais!

A Lara, uma fada madrinha!
A Márcia, mítica Helena de Tróia
E nesta combinação retalhada de emoções
Vamos construindo a vida num mote
Qual castelo de Babel
Onde eu ressurgirei como Beemote.

Assim somos, assim seremos
Selvagens, afetuosos, empáticos
Um homem, duas amigas
Que no âmago da sua essência
De palavras se revestem
Se estimam com reverência.

(Aníbal Panza)

sábado, 14 de julho de 2018

#porquechoras?

"Porque choras Tu?"
A pergunta que te fiz
Quando me apercebi daquela lágrima
Que correu tristonha
Na serenidade do teu rosto!

Sim, porque choras?
Pelo ponto sem retorno
De uma vida formatada
E onde a traição pela calada
Remarca todas as horas!

Sim, porque choras?
Pela falta de coragem
De poderes dizer um não
Em vez da infelicidade de um sim
Que te parte o coração!

Vá lá! Não chores!
Porque nós ambos sabemos
Que chega já amanhã
O fim dessa desconcertante dor
Que dilacera o amor!

Chega! Sabes que estou aqui
Fico à espera de ti!
Não chores mais meu amor!

(Aníbal Panza)
#sem equívocos

Saí de casa sem rumo 
Naquela manhã chuvosa e fria 
Levando as malas bem cheias 
De um amor impossível! 
Não sei se exatas são as palavras 
Agora pronúnciadas. 
Porquê? Porque
O Amor sente-se e vive-se 
O Impossível é aquilo que nos parece 
Que nunca pode acontecer 
Mas que um dia acontece.
Chegado ao destino da viagem 
Cansado, cilindrado pelo desgaste 
De uma passada estonteante
Nada consigo mais dizer
Senão um simplório
"Gosto de ti" - pudera!
Que mais poderia
Do meu ser eu te dizer
Quando no brilho desafiante
De uma maravilhosa paisagem
O Amor é: - uma quimera!
(Aníbal Panza)

quinta-feira, 12 de julho de 2018


#caminhadas
Na incerteza de um tempo que teima em passar
Arrastando-me lenta e suavemente para o mar
Contemplo a mãe natureza que aprimorada se apresenta
Na companhia da esbelta filha que sem temor me acalenta.
Paira uma intimidade no ar que silenciosamente me arrepia
Numa onda de amizade que a todos docemente contagia.
Já com os pés na areia que nada tem de movediça
Admiro enternecido a expressão corporal que me enfeitiça
Inspiram- se por ali os aromas que em silêncio todos comem
Na compreensão absoluta de sensíveis palavras que se exprimem.
(Aníbal Panza)