sexta-feira, 22 de maio de 2015

Quem Será?*




Quem será?
Uma pergunta com uma infinidade de respostas!
Ontem, por força de circunstâncias revivalistas e depois de arejar as minhas ideias numa espécie de linha limite entre a alegria da presença e a dor da ausência, acabei sentado no sofá a ler atentamente a "Última conversa" de Agostinho da Silva, publicado pela Casa das Letras.
A resposta:"as coisas bonitas não nos devem impedir de também vermos as desgraças que acontecem às pessoas" reflete o nosso dia a dia que, carregado de uma cegueira secundária a doença egocêntrica, leva a que as pessoas injustamente se maltratem no seu egoísmo insano...vivemos para e em função de nós próprios, esquecendo que ao nosso lado há quem esteja a sofrer.
Quanto mais tentamos fugir da solidão mais enredados ficamos nela mas se pensarmos bem nunca estamos sós "mais que não fosse, pelo menos, tinha o Sol e a chuva...", esses companheiros que nos acompanham, ora isoladamente ora em parceria,no sequencial e ritmado tempo biológico.
Depois temos os "companheiros" aqueles que comem o pão conjuntamente com o outro, os "camaradas" que dormem no mesmo aposento do outro e os "colegas" aqueles que tem a mesma lei...isto no dizer do autor, o qual reafirma que por vezes há uma combinação entre eles...e dias há em que aparecem isoladamente e outros em que aparecem todos ao mesmo tempo.
Estou tramado, afinal quem será que me acompanhará de uma forma consistente naquilo que me vai restando do ciclo da vida?
Pois é Professor Agostinho "o homem é a coisa mais extraordinária que aparece no mundo, é o inesperado feito pessoa."...eu que o diga, o inesperado espera por mim e eu espero pelo inesperado, por isso sou humano e extraordinário, no amor, na dádiva, na partilha, no meu sofrimento e as excepções a isso confirmam a regra!
Mas... e quem será?
Sei lá...o tempo o dirá!!!

* Obrigado amiga pela partilha musical*

terça-feira, 19 de maio de 2015

"VAMOS FUGIR OS DOIS"

Aquele portentoso arbusto algo doente,
Naquela selva frenética onde emergem reveses,
Admirado que é por imensa gente
Sente-se triste e só nas suas atitudes corteses.

Atraído que foi nos acasos em que está envolvido
Por uma formosa e reluzente planta germinada,
Com quase menos duas décadas de vida
Por ela se encantou, suspira e vive fascinada!

Tantos são os lenhadores que por ali passam,
Naqueles singelos mas comuns recantos escolhidos
Que com olhares desconfiados nos arrasam
Perturbando a livre expressão dos  sentidos!

Assim se passam dias de cumplicidade,
Relatando angustiados a sua vulnerabilidade
Sem nunca saber o que virá depois.

Eis que num delicado sonho me acordas
E num fulminante relâmpago me transportas
Quando ao ouvido me dizes: "VAMOS FUGIR OS DOIS"

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ondas do Mar (II)

Ondas vão e ondas vem
Numa maré que me invade
será que direi a alguém
Que gosto de ti de verdade?

Ora plano, ora alteroso
Num ritmo sequencial
Molhares-me é o teu gozo
Nesse imenso areal!

Bem te tentas engodar
Chamando-me ao pé de ti
Gostavas de me afogar
Isso... já  eu percebi!

Conseguiste distrair-me
Quando falaste em duna
Fica aqui o meu queixume
Que ideia inoportuna!

Arrastas-me para o fundo
E eu que não sei nadar...
Levas-me para o teu mundo
Que são as ondas do mar!

Atiras-me de novo a terra
após alguns dias de uso!
Sabes que alguém me enterra
E acusar-te eu não ouso!

Em nada me transformei
Foi esse o teu julgamento...
Se soubesse o que hoje sei
Evitava o sofrimento!

Ondas do Mar (I)

                Olho para o horizonte...
Numa visão inquieta e deslumbrada
         Desafiado pela minha complexa imaginação!
A água mexe-se calmamente
             Serpenteando num vai e vem desgarrado.
    Deixo-me levar por ela
O nosso mar tem ondas de ilusão!
        Maravilhado transformo-me num amante
 A quem nada é permitido
     Restando-me tão só uma real confusão!

  Seria Ingrato se não dissesse
               Que em tuas ondas surfei
     Enfrentando a  fúria tenebrosa
         Daqueles que nunca amei!
  Ah! Ondas do Mar que stresse...
            Por vós perdidamente me apaixono
     Em vós surge o meu naufragar!
 Porquê? Porque me fazeis sofrer?
           Vós que afinal sois...as Ondas do Mar!
       Deixai-me ao menos Viver!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Coffee Time...



A pedido de algumas famílias que não se deleitam muito com o chá!

Morning...coffee please!
Pedes tu com emoção
num balbuciante deslize
de lábios ainda dormentes
de uma noite de amantes!

Enquanto a máquina barulhenta
Vai enchendo a quente chávena
Na tua boca doce e salivante
Deixas que dela saia ardente
Sory! cofee doble, please!

Gulosa que tu me sais
sempre insatisfeita e pedinte
Não há empregado que resista
Ao calor que tu transmites
Nesse charme que emites!

Pousada que foi a chávena
Nessa mesa atoalhada
Adoças aquele creme
Com açucar que da cana
Se extrai com muita azáfama!

Mexes, remexes a colher
Em movimentos incertos
Meu olhar fito nos teus
Olhos de lince ardente
Que até me sinto imprudente!

Vejo-te saborear...
Com meus lábios eu te imito!
Minha boca está molhada
E numa palpitar fremente
O coração fica aflito!

Claro que não te resisto
Nem tu tão pouco me resistes
Beijas-me com suavidade...
Como a areia molhada pela maré
Que bem me sabe o teu beijo de café!

Ai café...café...café!
Que me interessa a sua marca!
Com isto esqueço o chá
Acho que para mim és tudo
Olho para ti...fico mudo!

Num momento de silêncio
Onde a vida quase pára
A cafeína dispara...
Sentem-se corações palpitantes
Que do café são amantes!

Pena que às vezes a borra
Que no fundo da chávena
Intrometida aparece...
Faça com que o café
me saiba um pouco a rapé!

Mas como o nosso gostar
de bebidas energéticas
Nos predispõe à aventura...
Que se dane a borra insana
Pois tua boca é frescura!

Estimulante apetite
Que a bebida nos trás
Porque depois do primeiro
Passamos a encontrar-nos
Não há café que resista...
Foi...Amor à primeira vista?

Que a vida não tenha fim!
Que a saúde não nos falte!
Que a conversa não termine!
Que a nossa alma se anime
Neste longo cofee Time!


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Polinização

Só tu serias capaz 
de me polinizar assim...
de uma forma rápida e subtil
pois sabes que só seria nada
já que não sou auto fértil!

Nessa teia emaranhada
onde tudo acontece 
espero não ser uma viúva negra
onde a morte pode chegar
não por aquilo que se tece
mas apenas e só por copular! 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tea for Two!

Dia horrível o de hoje!
Quanto vento e chuva para arreliar...
Não há esplanada que resista... foge!
Acho que até o meu ser voa pelo ar...

Nesse voar, até o cérebro abana!
"isso não é bom"- dizes-me tu!!!
Fujamos para a cabana...
Tomemos um " tea for two"!!!

O tempo depressa passa
como a água de um rio...
Logo...o teu corpo me enlaça
Lançando-me um desafio!

Mil sabores de mim se apossam...
Menta, Tília ou Lúcia  Lima
Frutos vermelhos me chamam
E o meu corpo desatina!!!

Sinto-te cada vez mais quente
Nos odores de teus aromas.
Fazes sentir-me gente
Declamando poemas!

Nessa onda efervescente
É assim que tu me amas
Na doçura do mau tempo
Nunca se apagam as chamas...

Bebamos então o chá
Que para dois foi feito
Esperemos que amanhã
Ainda se sinta o seu efeito!!