quarta-feira, 21 de junho de 2017

#estrada326/1

Naquela estrada numa tarde entristecida
Qual queixume sem luar
Deparou-se um precipício 
Onde ninguém sonha andar!

Naquela estrada alcatroada
Bordada em tons de verde dourado
Onde as sombras do arvoredo
Convidavam ao pecado.

Naquela estrada tão comum
A traição sem pudor apareceu
E a trezentos e vinte e seis/um
Foi uma amarga roleta que a todos empobreceu!

(Mariavaicomasoutras)


#conversas 

O que me dizes companheiro
De tudo o que por ali acontece?
Antes que venha o mítico nevoeiro
Esconder tudo o que de bem ou mal parece!

Que queres que te diga minha amiga?
Se agora ambos vemos o mesmo.
Tanta cabeça tonta à deriva
E os sofredores são a esmo.

A sério que é só isso o que vês ?
Na posição em que estamos
Ora espreita bem outra vez!

Tu és mesmo levada da breca!
Melhor que por aqui nos ficamos
Porque quem não vê... não peca!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 18 de junho de 2017

#oremosemsilêncio

Por entre demoníacas espirais de fogo
Onde até o impensável não resiste e arde
Há uma triste imensidão de vidas perdidas
Mostrando naquela tarde toda a crueldade
Que em cinzas transforma a nossa humanidade
Depois que se apagou a horrível pira.

Nas recônditas e secretas profundezas
De um ímpar e infinito sofrimento
Dita a incapacitada voz da consciência
Um longo, dorido e angustiado lamento
Reinando entre os frágeis soldados da paz
A amargura da sua real mortalidade e impotência.

Mas logo no rescaldo do inferno caótico ressurgem
As iluminadas mentes urbanas a culpa clamando
Com raciocínios repetidamente racionalizados
Numa tentativa de encontrar a vã certeza
Que explique às inúmeras famílias martirizadas
Aquilo que são os reais  acontecimentos da natureza.

Pois que a dor trespassante do luto das gentes em Pedrógão 
Nos faça meditar nas sinceras condolências que aqui se deixam
Já que o descanso eterno dos que partem
É a fonte da memorial e triste história 
Que todos nós solidáriamente transportamos
Até ao dia em que outros em oração silenciosa nos confortem!

(Mariavaicomasoutras)


sexta-feira, 16 de junho de 2017

#caminhadas

Quando na subtileza da passada
Me apercebo da tua singela companhia
Refreio mais o meu andar para não te abandonar.
És a imagem refletida qual soldado
Que de sentinela permanece atenta
Nessa consciência me deixando maravilhado! 

Com os pés molhados assim vamos
Sem medo dos ventos que nos empurram
Tentando impedir a refrescante caminhada
Que nos levará a divinais desafios
Onde ficaremos eternamente mais unidos
Apesar da fatalidade dos habituais desígnios!

Que o rio não seque, nem a luz brilhante se apague jamais 
Igualando estes momentos ao dos abraços incondicionais!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

#posiçãosentado

Debitando na inconstância
De tudo o que me desfaço.
Sentado, aqui permaneço
Dando voz à circunstância!

Sem queixumes nem lamentos
No auge de uma vontade
Foge de mim a verdade
Amarrada aos sentimentos.

E aqui neste recanto
Encontro as coisas perdidas
Que por estarem despidas
São a luz do meu encanto.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

#Santospopulares

António, João e Pedro
Três Santos peculiares
Cada um tem seu segredo
Pra gáudio dos populares.

Sempre muito acarinhados
Com marchas, febras, sardinhas
Ilibam-nos de alguns pecados
Cometidos nas rusguinhas.

Um porque é casamenteiro
Sempre com o menino ao colo
Tem um ar todo brejeiro
Em todo e qualquer protocolo.

Outro arrasta multidões
Transportando o seu cabrito
E põe-nos a ver balões
E a sonhar com o infinito.

Concluo a abençoada trilogia
Com um outro que é careco
Traz a chave bem guardada
E tem ar de malandreco!

Ficam tão bem no retrato
Três Santos da mesma ordem
Cada um... seu sindicato
Comemorando o que podem!

Apesar da evidente disfunção
Deve haver algum segredo!
Pois que na Santa divisão
São sempre, António, João e Pedro!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 10 de junho de 2017

#10junho#diadePortugal

Aqui deste Port(o)entado
Deixo-vos vãs memórias
Do democrata Delgado
Neste dia de anáforas!

Portugal é teu o dia!
Portugal é teu o querer!
Não tens no mundo um sósia
Portugal no teu saber!

E nem o general sem medo
Mesmo nos tempos difíceis
Dos milhentos amigos da onça

Imaginava o tal segredo
De haver governos mais frágeis
Do que o tal da geringonça!


(Mariavaicomasoutras)