domingo, 20 de maio de 2018

#Quemdera
Quem dera que as surpresas 
Deveras me surpreendessem 
E que as coisas que acontecem 
Nunca nos acontecessem.
Há vazios mais profundos 
Que o mais profundo dos poços 
Há momentos mais escuros 
Do que a escuridão produz.
Neste meu desassossego 
Ao ver passar a procissão 
Faço ao pálio a reverência 
Invoco a minha redenção.
Respiro sem respirar 
Não falo porque não sei 
Apenas sinto pairar no ar 
O que nunca cheguei a sonhar.
(Mariavaicomasoutras) 
#descansaempaz
Crescido a ziguezaguear pelo jardim 
Que é um autêntico viveiro de flores 
Acabei por encontrar entre os amores
Um de esplendorosa beleza sem fim.
Uma Flor sem mácula ali nasceu, viveu e cresceu
Lutando arduamente contra imensos infestantes
Quais verdadeiros e arteiros meliantes
Que não deixaram ocupar o espaço que era seu.
Com um amor e paciência infindável
Deixou que duas das suas sementes
Germinassem intercaladamente
Fazendo dela uma mãe incomparável.
Como qualquer outro ser humano
Procurou em Deus e Cristo a piedade
Por ter entrado em si vinda do demo a crueldade
Traduzida num atroz sofrimento desumano.
Mas o caminho do tempo não volta atrás
Somos nós que o acompanhamos
Até um outro jardim onde um dia nos encontraremos
Por isso digo: "minha flor descansa eternamente em paz!"
(Aníbal Panza #Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

#destino
Perseguido pelo destino que a vida transporta em si 
Procuro dar passos certos nas dúvidas que há em mim. 
Mas que destino é este que nos arrasta a todos 
Para um local onde a gente não queria ir a bem e muito menos a mal?
Diz-me uma voz lá do fundo:" Mas isso não é o destino 
Essa coisa não existe é fruto da imaginação" 
E continua aquela alma, penada ou depenada, sei lá 
"Existe sorte ou falta dela apenas há coincidências" 
E diz mais o pertinente:" Destino é o resultado de ações 
E escolhas que fazemos, sem nunca esperar que alguém nos bata à porta".
Não! Não acredito que aquela voz me tenha dito que o Destino não existe. 
Existe! Claro que existe, porque as palavras existem 
E estas são o espelho daquilo que representam no nosso ciclo vital 
Palavras são expressões significantes nunca são coincidências
Logo o destino, os sonhos, as escolhas, a sorte 
Fazem com que cada um se arraste ou se deixe arrastar 
De acordo com a sua força, vontade ou conhecimento enquanto a vida nos leva 
Para onde nem sempre queríamos ir.
Que diabo, fica a dúvida que me deixa a pensar 
Afinal também há coincidências! 
Não faz mal! A dúvida apenas confirma enquanto tal 
Toda a nossa existência!
(Mariavaicomasoutras) 

domingo, 13 de maio de 2018

#infância

Menino sonhas com quê?
Com nada!
Responderias-me assim se já soubesses falar!
Eu sei! Não tens tempo para isso!

Começas de pequenino a ser levado ao colinho e na rua, de carrinho!
Não é a idade dos sonhos
Apenas de descobertas.
Mais tarde vais compreender
Que nem sempre tudo corre sobre rodas
E os colos também se vão
Quaisquer que sejam as modas!

Claro que voltava à infância
Se pudesse isso escolher
Pois na abençoada ignorância
Procuraria o conforto
De um futuro para a vida
Em vez de ter o confronto
De um futuro sem vida
Ou quem sabe
Uma vida sem futuro.

(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

#frageisconstatações
Quando o tempo se apresenta apressado 
De nada adianta deixar ideias a marinar.
Pela frente não falta luz 
Há uma imensidão de janelas 
Fechadas ou abertas aqui e ali 
Por onde entram lufadas de fresco ar 
Que permutam com outro bem mais bafioso e doentio.
Mas a luz não é nem será nunca o problema 
Apenas nos condiciona momentâneamente.
É a dureza e o frio das pedras que me preocupam 
Num pavimento erodido pelo constante palmilhar de seres angustiados 
Prestadores de cuidados e cuidadores rotinados 
Uns desgastados, outros algoritmamente vitimizados 
Não sabendo discernir corretamente entre os quês e os porquês.
É a espessura das paredes que nada deixam transparecer que me incomoda 
E onde o ver e o não ver que apesar de serem diferentes 
Igualmente a cada instante me asfixiam.
Serenidade é tão só a solução para uma espera. 
Destroçados vão saindo alguns dos rostos 
Contrastando com ligeiros sorrisos de esperança

Que para a clínica valem um pouco mais do que o nada ou coisa nenhuma.
Frágeis constatações que me perturbam 
Apesar da imunização que trago em mim ao longo de parte da vida.
E qual o corredor que agora escolho perante a imagem no espelho? 
É indiferente...mas persistirá o constatar de uma qualquer dúvida!
(Mariavaicomasoutras) 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

#aspalavrastambémseesgotam
Quando às vezes acontece 
Que as palavras se esgotam 
Parecendo tão repetidas. 
É porque o sentir penetra 
Num antro que arrefece 
A mais simples das vidas.
Embaladas no berço de um vazio 
Perdidas em escuros labirintos 
Quando ressurgem na mente 
Provocando uns colossais arrepios 
Fica o corpo totalmente macambúzio 
Será verdade o que de verdade ela sente?
Não sei se mais percursos existem 
Que apontem para o infinito 
Do universo da significação das palavras 
Na construção estruturada dos poemas! 
Disseram-me que às vezes persistem... 
Nos travesseiros da pequenez das alcovas!
(Mariavaicomasoutras) 

domingo, 6 de maio de 2018

#temDias

Os dias nunca são todos iguais
Mesmo que as coisas não sejam diferentes das demais.
Mudam-se rostos
Os dos outros e o meu
Sim... não sou mais do que os outros!
Tem dias que mais parecem noites.
Pode parecer estranho
Mas os dias são dias porque há noites
Senão, seriam apenas dias de calendário.
Juro que já pensei virar os dias ao contrário
Mas a saída parecia mais trapalhona do que o próprio abecedário.
Dizem-me que é consoante a vogal proclamada... mais nada.

Tem dias que os dias são obscenos, impuros!
Pois são!
São dias de fantasias e de pura imaginação!
Tem dias... né?

(Mariavaicomasoutras)