quarta-feira, 31 de maio de 2017

#coisaseloisas

Quando saí de casa naquela manhã cinzenta,
Nem sequer me ocorreu que o tempo não era meu.
Portanto, nunca aí se perderia o que não me pertencia.
Mas a ignorância é tao sedenta de competir sem saber
Que mais parecia um asno, a correr em contratempo,
A fugir da própria sombra antes da luz se acender.

Foi nesse tropel tormentoso em que aí me meti.
Procurando o que, nem em sonhos   sequer tinha.
Que olhei pra todo o lado à procura de um raio... 
Se sol, de luar ou quem sabe que o parta, no sentido figurado
Que descobri o segredo daquele velho ditado,
Quando vais a qualquer lado "antes só do que mal acompanhado" .


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"Serpente emplumada, no princípio de mim, gêmea de mão dada, do mundo e seu fim"(João F Pimentel)

De repente e num audaz rompante
Eis que surge ali à minha frente
Aquela  indecorosa e vil serpente
Com altivez deveras intrigante!

Sem nunca perder minha calma
Espero que a bicha logo hiberne
Naquela apelativa casa de alterne
Onde se corrompe corpo e alma.

Num misto de mísera compaixão
Retira o emplumado casaco de pele
Pois sabe que tal coisa me repele
Mais que nudez do antro da solidão

Acordo ali espraiado e desfalecido
Sem uma qualquer sensação
Na maior e profunda desilusão
Como se fosse um morto vivo!

E nesta metáfora real e nojenta
Fica-me da serpente a memória
Para sempre, nesta vulgar história
Vazia e sarcásticamente pestilenta!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 28 de maio de 2017

 #memoriais

No sentir que me pertence
Quando a mente se passeia
No labirinto de outros,
Há algo que me convence
Que o respeito escasseia
Parece um mundo de loucos.

Saindo do meu conforto
Nessa viagem sem medos,
Neste infernal reino animal.
Já caído, levanto-me quase morto
Vendo que tremem meus dedos
Num abraço ao frio memorial!

Assim e ao sabor de um vento
Que me acompanha na escada
Ao altar da compaixão
Murmuro um ténue lamento
Quando a alma aí chegada
Entende o meu coração:

"Perdoai-lhes senhor, tamanha incompreensão!"


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 27 de maio de 2017

#estrelinhasentrelinhas

Cantam poetas as estrelas
Que cintilam entre as pedras
Pasmam meus olhos por vê-las
Apagarem-se em esperas!

Quando o rei sol aparece
A espraiar-se numa aurora
O estrelado manto desvanece
Nessa mítica caixa de Pandora!

Sei que as estrelinhas estão 
À espera de um entardecer
Como sonho de criança...

E quase sem dar por nada
Quando o brilho renascer
Liberta estará a esperança!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

#luzes

Tropeços há na escuridão
Que nos despertam para o dia
Como repentino é o clarão
Que por um instante alumia.

É na incerteza de uma luz
Diversificada em excesso
Que o ambiente nos conduz
Nas rotas que desconheço.

Já que com sinais se benzem 
Os mais puros e os impuros
Nas preces de arrependimento,

Pois que as luzes alumiem
Os percursos mais escuros
Do nosso discernimento!


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 23 de maio de 2017


#paraquemcuidacomamor

Nos sinuosos ciclos do universo
Há alguns deveras preocupantes!
Um deles, o envelhecimento humano...de facto controverso.
Com suas mutações inconstantes,
Que tantas vezes nos privam de viver sempre saudáveis 
Fazendo de nós uns claudicantes seres errantes.

Todos vulneráveis, na versão biológica nascemos.
Com o passar do tempo na dimensão cronológica finamos 
E tão pouco nos conhecemos,
Na regra ilógica de um amadurecimento,
Que em voláteis nos transforma
Às mãos da solidão, abandono e sofrimento!

Na vital linha do envelhecimento
Os que cuidam com amor aqueles que o necessitam
Devem ter sempre presente todas as formas de dor!
Sendo que as dores mais intensas
São sempre provocadas por quem,
Da leviandade é cruel semeador
E cuida os outros com frieza ou com desdém!

(Mariavaicomasoutras)







domingo, 21 de maio de 2017

#infortúnio

Caindo em desgraça o corpo humano
Dilacera-se nas entranhas da inconsciência
Não discernindo sequer o engano
Que o conduz à fatalidade da sua impotência.

Milhares de soldados interinamente mobilizados
Que num exército sem comandos estruturados,
Expostos se devoram famintos e cansados
Na devassa de mil conceitos pré-elaborados.

Pois que os tormentosos e anárquicos momentos
Acordem da letargia os escudos da ciência.
No doentio universo de uma cega e vil redundância

Veremos então uma explosão triunfante
No desfile da sapiência nesse reino de vaidades
Onde até os tiros no pé são fonte de moralidade.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 20 de maio de 2017

#subiredescer

A invulgar rapidez com que uns
Se movem em tudo que anda
É como um papel a voar
Quando cai duma varanda.

São assim minhas ideias
Que esboço com a mão
Vão esvoaçando ao escrever
Sem chegar ao coração!

Quem diz coração diz ao chão...
Será que nos entendemos?
Porque o ser livre de pensar
Se terminou...já morremos!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

#napassadadopresente

Calcorreando caminhos
Com pisos tão variados
Em momentos repetidos
Vou reforçando os sentidos
E dou corda aos meus ouvidos!

É que isto de não ser surdo
E na mente renascer o absurdo
Diz-me que afinal o mundo
Tem um mistério profundo
Tal como um poço sem fundo.

Sendo assim, assumo algumas cautelas...
Fecho portas e janelas
Os olhos são sentinelas

Dou comigo num jardim
Suspenso num varandim
Sem descobrir o meu fim.


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

#advérbioseinterrogaçoes

Será que estarei a salvo
Quando me sinto de fora
Ou será que apenas a vida
Me exclui por ser um alvo?

No fundo serei um barco
Ou uma ponte que une
Num rio menos intenso
Nas margens o seu queixume!

Salvo douta opinião
O que sou eu afinal?
A carta que falta num baralho?

Ou nem sequer serei nada?
Talvez? exceto? ou um senão? exclusivo?
Quem sabe? Talvez eu seja, isso sim, um marginal!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 14 de maio de 2017

#impunidade

Quando a razão da força
Se sobrepõe à força da razão
O mundo passa a ser farsa 
Em toda e qualquer nação.

Viver em Democracia
Tem um preço na verdade
Ao acordar ver que o dia 
É a luz da liberdade!

A violência e a tirania
Devem ser excomungadas
E sempre presas com trela

Fazendo da noite o dia
Do povo faminto e aterrorizado
Como o é o da Venezuela.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 13 de maio de 2017

#maio13

Vestiram-Lhe o manto branco
Num ambiente floral
Causando a todos espanto
Seu simples ar virginal.

Logo ali foi rodeada
Por doridos pecadores
Que imploram na calada
Mil perdões e o fim das dores.

No invocar de tais preces
Emerge um tal clamor
Que nos desperta pra vida!

No pedir não se empobrece
E aguarda-se o favor
Que nos cure alguma ferida!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

#nuvensenovelos

Cai a chuva copiosa
Nas ondas do meu cabelo
Se ela molha que importa
Já que cai melodiosa
Como quem desenrola o novelo!

Não tem ponta onde lhe pegue
Porque me escorre entre os dedos
E enquanto a nuvem desfia
Um fio que agarrado me persegue
Enfrento todos os meus medos.

Essas nuvens e novelos
Que surgem no dia a dia
Como sinais de existência
Ambos se vão desfazendo
Com uma tal melancolia.

Deixando apenas um rasto...
Que me esgota a paciência.


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 9 de maio de 2017

#emdiadeaniversario

Vejo que o tempo avança
Todos os dias pra frente
Não escapa a esta graça
O nosso Manuel Vicente!

E se na beleza da idade
O seis encontra o nove.
Maior fica a vontade
De fazer o que se pode.

Aproveitando o impulso
Disfruta agora o instante
Que é o teu aniversário.

E que daqui para a frente
Estejamos todos a ver-te
Virar esse número ao contrário! 


(Mariavaicomasoutras)
#umainterrogaçãonodiadamãe

Fosse obra de mero a acaso
Ou desejo marinado 
O ter vindo de Paris
Com nove meses de atraso
E na cegonha viajado
É um dos contos mais feliz.

Quando apurei a verdade
Sei que não foi bem assim!
E já não estou enganado.
Com o meu pai à vontade
A minha mãe fez-me a mim
Levou-me sempre agarrado!

Deixou-me assim os seus genes
Na forma de ver o mundo
E ser aquilo que sou.
É pena sermos perenes
Quando batemos no fundo 
Ao ver que tudo acabou!

De qualquer modo agradeço
A quem sempre me quis bem
De uma forma muito humana.
Mas porque pareço às vezes
Um trapo para alguém
Minha saudosa mãe Joana?

(Mariavaicomasoutras)




#insonias

Apagam-se as luzes da ribalta.
Desaparecem os atores de uma cena interminável
Que decorre mesmo aqui no palco das nossas vidas.
A peça representada roça o limiar de uma tragédia!
Nada nem ninguém aplaude esse momento
Já que o admirável público gelado e atemorizado
Aguardava quadros de uma vulgar comédia.

Mas nos bastidores a parada é demasiado alta!
O incómodo aí presente faz parte há muito da rotina
Não permitindo o abençoado descanso do guerreiro.
No escuro, há um brutal e anormal silêncio que arrepia...
Notam-se apenas os movimentos ofegantes de tudo o que por ali ainda respira.
Cabisbaixo... continuo à espera que a luz de fundo se acenda...
E a maldita da insônia se desfaça por entre o pesadelo da noite que é  sempre desmesuradamente fria!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 6 de maio de 2017

#abraçodoarcoiris

Na minha terra Carreço
Deixando Viana a sul
Deparei-me com o abraço
Que acalma qualquer dor
Quando encontrei um farol
Neste caso em Montedor.
E nesse abraço incontido
Entre o céu e o mar azul
O arco íris sofrido
Em pouco tempo se esvai!
Por se achar intrometido
Entre a água que o afoga
E a terra que o asfixia.
Sendo pouco o ar que resta...
Logo o belo é efemero
Como o é a acrobacia
Das cores no prisma cromático
Num espetro sem sintonia.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

#Maio#

Florido Maio que chegas
Sorrindo com tons de amarelo
Será que agora me negas
Que és o mês da mãe e Maria
Nas crenças que em ti carregas?

E que o teu primeiro de Maio,
Na sua carga emotiva com cariz libertador
Traz nas entranhas as marcas
De um criminoso massacre
Cometido em servis trabalhadores.

Maio... tão florido e aguerrido
Também carregas contigo
Nas turvas águas e perigosos atoleiros
Muitas chagas, quem sabe se  incuráveis...
Do corpo dos Enfermeiros.

Maio, maias de infestante beleza
No exotismo da arbustiva giesta
Que atemoriza mil demónios
Na cíclica idolatria das mentes
Onde o aroma lhes excita os seus neurónios

És assim um mês tremendo
No mistério, no odor, na cor, na dor.
De ti, nem ao de leve me abstraio
Serei se puder, teu frágil procurador
Meu poético. mês de Maio!


(Mariavaicomasoutras)