quinta-feira, 17 de agosto de 2017

#sinaisdavida


Quando abertos para a vida
Os olhos com que nascemos
Vão captando o que vemos
Mesmo a coisa mais fingida 

Do sol, da terra e da lua
Tomados como um exemplo
Abrem- se as portas do templo
Sai a fantasia à rua!

Decora-se tudo a preceito
Num alinhamento perfeito
Dando expressão a uns egos

Na imagem do alinhamento
Surge sempre um eclipse
Que nos equipara a cegos!

(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

#metáforasviajantes

Vai assim um amigo enfermeiro  clamando
Com seu sarcasmo inaudito
Que nauseou a mente do aflito
Com talher indigesto apresentando!

Comer ilusões tem um tal preço elevado
Que alguns por elas tragados são
Não porque lhes caiam na mão
Mas antes pelo veneno atiçado!

Que a vetustez daqueles troncos despidos
Os penetre aprofundando sentidos
Onde nada nem nunca se sentiu

E nessa virginal e angelica metáfora
A minha pobre alma nua implora
A ida deles para o sítio que um dia os viu!

(Mariavaicomasoutras)

sábado, 12 de agosto de 2017

#ponteirosdeumqualquerrelogio

Saltitando assim caminhas
Deixando um rasto indelével
Que canseira o teu andar
Aos saltos e às voltinhas
Que até troco o meu olhar.

Dás as voltas no terreiro
Como se fosse a dançar
Até o tempo que passa
Por nós de qualquer maneira
Espera acordado ao luar
Suspirando a noite inteira.

Nem sei porque te admiro
Já que de ti nada espero.
Até acho que és um perigo
Para ser mesmo sincero.

Acabas piscando o olho
Ao par que sempre acompanhas
Prefiro o caminho que escolho
Às tuas vulgares artimanhas...


(Mariavaicomasoutras)
#colagensparasitoides

No antro de tanta e cíclica desgraça
Está sempre um cruel incendiário
Que vendo tudo virado ao contrário
Aproveita e fomenta o caos na praça.

Tendo a praça um odor quase académico
Onde se ensaiam e atiçam os discursos
Fazem-se infantis figurinhas de ursos
Em ambiente de sarcasmo quase endémico.

Uma enorme sede de poder por não o ter
Que está sempre qual cogumelo a renascer
Diz de imediato presente por ser a mais evidente.

Deixando em míseras cinzas a nobreza da tal ética
Com atitude virtuosa mas enormemente patética
Numa espécie de paródia num carnaval permanente.


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

#oxalásejasempreassim

Ao entrar pela estreita porta
No reino dos oxalás
A única coisa mais certa
É a dúvida dos amanhãs

Será que adianta abrir
Um caminho sem retorno?
Às vezes mais vale sorrir
E meter o oxalá no forno.

Oxalá! Isso é  promessa?
Oxalá! Terá isso algum sentido?
Oxalá! Todo o mal nós dispensemos...

Que a dúvida só interessa
A quem nelas está metido?
Isso... todos nós já o sabemos!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 6 de agosto de 2017

#whatisart

Fazem-se tantas perguntas
Nas horas dos nossos dias
Algumas não têm respostas
Noutras largam-se heresias.

Mas afinal o que é arte?
Foi o que se questionou.
Talvez por ver em toda a parte
Tudo o que alguém criou!

Fiquemos então com esta
Que tenho para vos  dizer
Sobre o que a arte nos deu:

A arte é um sentimento de festa
A arte é uma forma de estar e de viver
Afinal tudo é arte e esta também sou eu!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 5 de agosto de 2017

#queosdiassejamassim

Não há dois dias sempre iguais
Entre o deitar e o acordar
Há pesadelos no sonhar
Que são manifestos sinais.

Fazemos triste o amanhecer
Num dia em que vivos estamos 
Então porque não lembramos
A alegria que é o de podermos viver?

Deixemos que o nevoeiro passe
Que das nuvens o sol se desenlace
Numa singela e natural harmonia.

E com canteiros cheios de flores a abrir
Dos lábios nos saia um franco sorrir
Sempre ao som de um proferido "Bom dia"!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

#acostaresiste

Deu à costa um tsunami
Num país sem igual
A costa virou-lhe as costas
Diz que a onda é irreal!

Tombam vidas, roubam-se armas
Ardem montados que restam
As comunicações têm falhas
E os lesados protestam

Rolam cabeças em secretarias
Por um qualquer motivo incrivel
A onda enrola há muitos dias
E a dívida cresce de modo temível.

Mas a costa nunca dará à costa  
Nem mostra o coração que fraqueja
E na evasão de um cansado discurso
Faz com que a erosão não se veja.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

#bomdia

Quando me dizes:
- Bom dia!
Ponho um sorriso no rosto
E repito a melodia:
- Bom dia!

Ouve-se um eco
Que logo me extasia
De tão doce e ternurento...

-Bom dia...bom dia...bom dia!

(Mariavaicomasoutras)

domingo, 30 de julho de 2017

#xyeagora?

Vagueando naquele agitado espaço
Confronto-me com os desníveis
Lembrando que a régua e esquadro
De mãos dadas com um compasso
São vencidos muitos imprevisíveis.

Ai se a vida fosse simples assim
Traçada com básicos instrumentos!
Dos ângulos faria belos jardins 
E nas curvas ou retas linhas sem fim
Surfavam-se quaisquer lamentos.

Porém, estes projetos afastam
O real, do permanente ilusório,
Onde a menor subida ou descida
Pode ser uma casual antecâmara
Do chamado e temido purgatório.

Em tantas marés de dificuldades
Sobeja naquelas escadas o vão
Onde a fria matemática não comprova
Que muitas das nossas carnais vontades
Têm sempre numa incógnita a solução!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

#melhorescoisasdavida

Quando alguém por um instante
Começa um jogo e pergunta:
"Quais as melhores coisas da vida?"
O mundo dá tantas voltas
Trazendo com tal rompante
O "amor florescido na amizade"
Como uma resposta importante.

Contudo, há sempre um preço
Que em vida se há-de pagar,
Com custos incalculáveis
Por serem cheques em branco
Onde cada qual dos  portadores
 Imputa um saldo bastante
Creditando tais valores.

Ler livros, conversar, beber um copo
Caminhar, viajar, ver a paisagem
Mergulhos, praia,admirar o sol pôr
Flores,música, dança,farra e sexo...
Sempre do bom ambiente sedentos.
E assim no tempo investimos
Por serem esses bons momentos.


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 25 de julho de 2017

#ignorâncias

Ao trepanar alguns baús
Flagrante é a dureza
Na cinzenta massa a nu
Sai granito com certeza.


O conhecimento é tão fraco
O discernimento ainda mais
Que até um pobre macaco
Apreende coisas mais banais.

Nas preces imploremos
Que nos libertem de escolhos
De ocas cabeças nos livremos
Como dos calhaus com olhos.


(Mariavaicomasoutras)
#montanha

A montanha que percorro
A qualquer hora do dia
É por demais sinuosa
E com um denso arvoredo,
Faz-me apelar por socorro
A tudo o que já sabia,
Não porque seja perigosa
Mas porque a noite vem cedo.

Não há pingos de luar...
Nem sequer brilho nas estrelas
Mas por estranho que pareça
A ausência de luz também cega
E apenas circula aquele ar
Onde se escrevem novelas
Com as ideias na cabeça
Que o pobre corpo carrega...


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

#enigmas

As asas que livres esvoaçam
São agora às centenas
Mas no cair das frágeis penas
Há raízes que as enlaçam.

Entre asas e raízes
Há uma tal cumplicidade
Chego a sonhar que é verdade
Tudo aquilo que não dizes.

Tanta coisa nos persegue
Pelas sombras que revejo
Espero que o diabo as carregue
Com um simples pestanejo.



(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

#palavras

O escuro é a luz do silêncio
O silêncio é o prenúncio de um vazio
O vazio vive na ânsia do eco
O eco nunca surge do nada
O nada só o é porque algo existe!

Existir é negar igualmente o nada,
Para este sucumbir com algum eco
Afastando-se rapidamente o vazio
Que sempre nos remete ao silêncio
Trazendo assim a claridade da luz na escuridão.

(Mariavaicomasoutras)


segunda-feira, 17 de julho de 2017

#sentirounaosentireisaquestao

Parei no tempo com dúvidas...
Quantas e tantas vezes disseste
Outras quantas sei que fiz e desfiz
Porquê? Para quê? O quê?
Não sei se fui assaltado...
Ou esteja talvez perturbado
Sem conseguir discernir
Se sentir é estar ao lado
Sempre calado e a sorrir.
Ou quem sabe se colado
Compreender que o teu corpo
É todo ele um dicionário
Onde apreendo o porvir!


(Mariavaicomasoutras)
#reflexosereflexoes

Paira sobre aquele manto uma luz
Que ilumina a face exposta.
Seu brilho diz que a resposta
Está bem escondida na sombra
Que sempre ali se produz.

Logo aí se imobiliza
O pensamento retrógrado
Que pela consciência é negado
Mas por vezes regorgita
Na expressão que utiliza.

Creio que o segredo aí guardado
Tem uma atitude assertiva
Ao equilibrar luz e sombra
Numa dimensão afetiva
Onde o mais puro é o pecado!

(Mariavaicomasoutras)




sábado, 15 de julho de 2017

#carapuça

O não se nascer perfeito
É uma humana condição
Vai-se corrigindo o defeito
Com doses de educação.

Muita gente se apercebe
Qur efeitos secundários tem
Nem toda a gente consegue
Dar aquilo que não tem.

Que enfie a carapuça
Quem achar que lhe convém
Porque só serve a quem serve.
E a alguns ...assenta bem.


(Mariavaicomasoutras) 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

#talequal

G_erou-se um rumor imenso
E_ntrou-se na nova era
R_emando contra a maré
I_maginavam-se então
N_ovas, finas e puras práticas
G_orou-se agora a expetativa...
O_nde vagueia a impunidade
N_unca se fará justiça
Ç_erceando-se a verdade
A_h! E quando é que tal se alcança?


(Mariavaicomasoutras)
#segredosnaintimidade

A sombra daquela árvore
Onde me encosto e descanso.
É um recanto tão íntimo
Em que todos os segredos
Se revelam mais seguros
Que um complexo arbóreo
Onde as raízes se entranham
Com uma tal intensidade
Nos terrenos mais escuros
Que a essência da eternidade.


  1. (Mariavaicomasoutras)
#arrepios

Aquela refrescante brisa
Que gostosamente provoca
Reações que se desfiam
Num complexo frenesim.
Enlaça, modela e eterniza
Os momentos que arrepiam
No sentir dentro de mim.

É tão forte o sentimento
Que descrevendo revejo
O passado bem presente 
Num amanhã que há-de vir.
E num arrepio latente
Quem sabe se assim reinvente
O melhor do meu sentir.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 8 de julho de 2017

#sorrisempre

Sorri! Sorri sempre!
Mesmo quando estou ausente
Porque o sorriso te leva
Ao jardim da primavera.

Sorri! Sorri sempre!
Mesmo que o tempo não passe
Afinal o sorriso enternece
E o corpo não se aborrece.

Sorri! Sorri sempre!
Mesmo que a luz se apague
Já que o sorriso no escuro
Derruba um qualquer muro.

Sorri! Sorri sempre!
Encara a vida de frente!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

#antesandorinhadoquepolitiqueiro

Quiséssemos nós um dia
No silêncio da manhã
Traduzir a melodia
Que a passarada entoa
Numa bela sinfonia!

Quem sabe se desse modo
Estivéssemos mais atentos
Tratando as coisas como um todo
E sem fúteis argumentos
Não afundariamos no lodo.

Porque em discursos de embuste
Se engana e arrasta o povo.


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

#bailedavida

Nesta raiva que me queima
Nas entranhas a esperança
Sinto que tudo o que arde
E em cinzas se transforma
Se assemelha a uma dança
Onde o par com seu desnorte
Baila a dormir na forma.

Com uma tal molenguice
Vai pisando tudo e todos
Nas voltas de compaixão
Já que ninguém se atreve
A corrigir o compasso
E para aguentar a confusão
São precisos nervos de aço!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 1 de julho de 2017

#enganos
#adespropósitodenovassociaçaodenfermeiros

Sem confiança parti...
Com aquele nó na garganta
Procurando uma resposta
A uma simples pergunta.

Para que serve o engano?
Que a outro lado nos leva
Quando no pensar leviano
Induz ao encontro da treva!

São tantas as voltas trocadas
Quando enganados nós somos!
Ou se nos ideais tresloucados
Nos enganamos a nós mesmos!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

#acróstico

B_ondosas são as palavras
O_rnadas com sentimentos
N_as horas que são passadas
D_ebaixo de sofrimento.
A_ma quem algo me fala
D_esdenha quem sempre cala
E_ncerrado num lamento! 


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 27 de junho de 2017

#desabafos
Por entre mágoas esfarrapadas
Voltei as costas à vida
Deixando que as águas paradas
Naquele meu pensar insano
Me pusessem completamente à deriva.

São talvez coisas de infância
Que nos marcam a partida
Mas a ignóbil e santa ignorância
Que nos cega e faz ciúmes
Não nos deixa outra saída.

Em que erradas decisões
São o fim sem terem meios
Extremando posições
Na forja dos fundamentos
Que nos movem sem rodeios.

Termina-se assim o ciclo
Atraiçoando a razão
Do que eram os meus anseios.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

#nãosomosimortais

A vida é bela mas efémera
E tem injustiças demais
Assim vivemos na quimera
Que um dia seremos imortais!

A vida é bela...
Numa abordagem sincera
Quando se abre a janela
Vê-se logo que é linda...mas efémera.

No crescer tem injustiças...
Sempre tão desiguais
Não há quem lhes ache graça
E todas elas são...demais!

E assim vivemos...
Como apaixonados à espera
De ter tudo o que queremos
Como ébrios...na quimera.

Contudo, um dia...
Tudo fica longe demais
Quando já não despertamos
Pois não somos...imortais!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

#estrada326/1

Naquela estrada numa tarde entristecida
Qual queixume sem luar
Deparou-se um precipício 
Onde ninguém sonha andar!

Naquela estrada alcatroada
Bordada em tons de verde dourado
Onde as sombras do arvoredo
Convidavam ao pecado.

Naquela estrada tão comum
A traição sem pudor apareceu
E a trezentos e vinte e seis/um
Foi uma amarga roleta que a todos empobreceu!

(Mariavaicomasoutras)


#conversas 

O que me dizes companheiro
De tudo o que por ali acontece?
Antes que venha o mítico nevoeiro
Esconder tudo o que de bem ou mal parece!

Que queres que te diga minha amiga?
Se agora ambos vemos o mesmo.
Tanta cabeça tonta à deriva
E os sofredores são a esmo.

A sério que é só isso o que vês ?
Na posição em que estamos
Ora espreita bem outra vez!

Tu és mesmo levada da breca!
Melhor que por aqui nos ficamos
Porque quem não vê... não peca!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 18 de junho de 2017

#oremosemsilêncio

Por entre demoníacas espirais de fogo
Onde até o impensável não resiste e arde
Há uma triste imensidão de vidas perdidas
Mostrando naquela tarde toda a crueldade
Que em cinzas transforma a nossa humanidade
Depois que se apagou a horrível pira.

Nas recônditas e secretas profundezas
De um ímpar e infinito sofrimento
Dita a incapacitada voz da consciência
Um longo, dorido e angustiado lamento
Reinando entre os frágeis soldados da paz
A amargura da sua real mortalidade e impotência.

Mas logo no rescaldo do inferno caótico ressurgem
As iluminadas mentes urbanas a culpa clamando
Com raciocínios repetidamente racionalizados
Numa tentativa de encontrar a vã certeza
Que explique às inúmeras famílias martirizadas
Aquilo que são os reais  acontecimentos da natureza.

Pois que a dor trespassante do luto das gentes em Pedrógão 
Nos faça meditar nas sinceras condolências que aqui se deixam
Já que o descanso eterno dos que partem
É a fonte da memorial e triste história 
Que todos nós solidáriamente transportamos
Até ao dia em que outros em oração silenciosa nos confortem!

(Mariavaicomasoutras)


sexta-feira, 16 de junho de 2017

#caminhadas

Quando na subtileza da passada
Me apercebo da tua singela companhia
Refreio mais o meu andar para não te abandonar.
És a imagem refletida qual soldado
Que de sentinela permanece atenta
Nessa consciência me deixando maravilhado! 

Com os pés molhados assim vamos
Sem medo dos ventos que nos empurram
Tentando impedir a refrescante caminhada
Que nos levará a divinais desafios
Onde ficaremos eternamente mais unidos
Apesar da fatalidade dos habituais desígnios!

Que o rio não seque, nem a luz brilhante se apague jamais 
Igualando estes momentos ao dos abraços incondicionais!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

#posiçãosentado

Debitando na inconstância
De tudo o que me desfaço.
Sentado, aqui permaneço
Dando voz à circunstância!

Sem queixumes nem lamentos
No auge de uma vontade
Foge de mim a verdade
Amarrada aos sentimentos.

E aqui neste recanto
Encontro as coisas perdidas
Que por estarem despidas
São a luz do meu encanto.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

#Santospopulares

António, João e Pedro
Três Santos peculiares
Cada um tem seu segredo
Pra gáudio dos populares.

Sempre muito acarinhados
Com marchas, febras, sardinhas
Ilibam-nos de alguns pecados
Cometidos nas rusguinhas.

Um porque é casamenteiro
Sempre com o menino ao colo
Tem um ar todo brejeiro
Em todo e qualquer protocolo.

Outro arrasta multidões
Transportando o seu cabrito
E põe-nos a ver balões
E a sonhar com o infinito.

Concluo a abençoada trilogia
Com um outro que é careco
Traz a chave bem guardada
E tem ar de malandreco!

Ficam tão bem no retrato
Três Santos da mesma ordem
Cada um... seu sindicato
Comemorando o que podem!

Apesar da evidente disfunção
Deve haver algum segredo!
Pois que na Santa divisão
São sempre, António, João e Pedro!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 10 de junho de 2017

#10junho#diadePortugal

Aqui deste Port(o)entado
Deixo-vos vãs memórias
Do democrata Delgado
Neste dia de anáforas!

Portugal é teu o dia!
Portugal é teu o querer!
Não tens no mundo um sósia
Portugal no teu saber!

E nem o general sem medo
Mesmo nos tempos difíceis
Dos milhentos amigos da onça

Imaginava o tal segredo
De haver governos mais frágeis
Do que o tal da geringonça!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

#medos

Medo? O que é o medo? Que medo?
De quê? De quem? Porquê?
Interrogações carregadas 
De dúvidas que não se entendem
E em qualquer lado nos perseguem
De uma forma reativa
Quer exista ou não a luz.

Medo? O que é o medo? Que medo?
Qual, onde, como e quando?
Surge tantas vezes do nada
Assalta-nos contra vontade
Faz com que o coração palpite
Mais depressa que o normal
No esforço que assim transmite.

Medo? Será desse cujo que fujo? 
Que medo me dá ter medo 
Porque de nada adianta
Ter medo do abrangente
Pronto a apontar-me o dedo
E a apertar-me a garganta
De um modo negligente!

Medo? Sim, tenho medo!
Daqueles que de mim falam
A falarem sem saber...
Sempre nas costas, coitados!
A sussurrar num degredo
Chegando a negar o ditado
De que quem tem cu... tem medo!

(Mariavaicomasoutras)



#acróstico

V_inham de todo o lado
E_spíritos trazendo a luz.
R_espondiam a quem não sabe
D_eclarar a verdade
A_medrontados que são! Espíritos!
D_êem voz à liberdade
E_stupidez... é que não.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

#avidaeosonho

A vida é feita de sonhos
Onde por vezes a dor
É o maior acordar
E os momentos risonhos
Desvanecem-se sem cor
Nos que partem sem voltar!

Quem fica sabe que a dor
Se converte em saudade
Porque a vida afinal
É um antro de corredores
Em que a sinuosidade
Converge num pantanal!

Portanto temos de ser
Mais fortes para entender
Que viver é avançar
Até à suposta eternidade
E que o nosso sonhar
É um amanhã de saudade!

(Mariavaicomasoutras)

sábado, 3 de junho de 2017

#há#há

Há quem queira caminhar
Lado a lado todo o dia
Há quem só queira ficar
Ao lado de mesa cheia!

No conjunto de vontades
Que deixo aqui entender
Há quem coma para andar
Há quem ande pra comer!

Talvez seja até por isso
Que há seres esverdeados
E que aqui se identificam...

Ao mesmo tempo que há outros
Que nas feiras de vaidades
Nem sequer corados ficam!!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

#diadacriança

Olá! De quem és tu?
Já sei! Da tua mãe e do teu pai!
Hoje estás todo catita,
Parece que vais à festa.
Mas afinal a quem sais?
A tua mãe não era tão caladita!
Não falas? O gato comeu-te a língua!

E com conversas como esta
Os anos foram passando
Nunca voltando mais
Que a vida não volta atrás.
Apenas fica a lembrança
Que chega de vez em quando
Do tempo em que fui criança.


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

#coisaseloisas

Quando saí de casa naquela manhã cinzenta,
Nem sequer me ocorreu que o tempo não era meu.
Portanto, nunca aí se perderia o que não me pertencia.
Mas a ignorância é tao sedenta de competir sem saber
Que mais parecia um asno, a correr em contratempo,
A fugir da própria sombra antes da luz se acender.

Foi nesse tropel tormentoso em que aí me meti.
Procurando o que, nem em sonhos   sequer tinha.
Que olhei pra todo o lado à procura de um raio... 
Se sol, de luar ou quem sabe que o parta, no sentido figurado
Que descobri o segredo daquele velho ditado,
Quando vais a qualquer lado "antes só do que mal acompanhado" .


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"Serpente emplumada, no princípio de mim, gêmea de mão dada, do mundo e seu fim"(João F Pimentel)

De repente e num audaz rompante
Eis que surge ali à minha frente
Aquela  indecorosa e vil serpente
Com altivez deveras intrigante!

Sem nunca perder minha calma
Espero que a bicha logo hiberne
Naquela apelativa casa de alterne
Onde se corrompe corpo e alma.

Num misto de mísera compaixão
Retira o emplumado casaco de pele
Pois sabe que tal coisa me repele
Mais que nudez do antro da solidão

Acordo ali espraiado e desfalecido
Sem uma qualquer sensação
Na maior e profunda desilusão
Como se fosse um morto vivo!

E nesta metáfora real e nojenta
Fica-me da serpente a memória
Para sempre, nesta vulgar história
Vazia e sarcásticamente pestilenta!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 28 de maio de 2017

 #memoriais

No sentir que me pertence
Quando a mente se passeia
No labirinto de outros,
Há algo que me convence
Que o respeito escasseia
Parece um mundo de loucos.

Saindo do meu conforto
Nessa viagem sem medos,
Neste infernal reino animal.
Já caído, levanto-me quase morto
Vendo que tremem meus dedos
Num abraço ao frio memorial!

Assim e ao sabor de um vento
Que me acompanha na escada
Ao altar da compaixão
Murmuro um ténue lamento
Quando a alma aí chegada
Entende o meu coração:

"Perdoai-lhes senhor, tamanha incompreensão!"


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 27 de maio de 2017

#estrelinhasentrelinhas

Cantam poetas as estrelas
Que cintilam entre as pedras
Pasmam meus olhos por vê-las
Apagarem-se em esperas!

Quando o rei sol aparece
A espraiar-se numa aurora
O estrelado manto desvanece
Nessa mítica caixa de Pandora!

Sei que as estrelinhas estão 
À espera de um entardecer
Como sonho de criança...

E quase sem dar por nada
Quando o brilho renascer
Liberta estará a esperança!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

#luzes

Tropeços há na escuridão
Que nos despertam para o dia
Como repentino é o clarão
Que por um instante alumia.

É na incerteza de uma luz
Diversificada em excesso
Que o ambiente nos conduz
Nas rotas que desconheço.

Já que com sinais se benzem 
Os mais puros e os impuros
Nas preces de arrependimento,

Pois que as luzes alumiem
Os percursos mais escuros
Do nosso discernimento!


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 23 de maio de 2017


#paraquemcuidacomamor

Nos sinuosos ciclos do universo
Há alguns deveras preocupantes!
Um deles, o envelhecimento humano...de facto controverso.
Com suas mutações inconstantes,
Que tantas vezes nos privam de viver sempre saudáveis 
Fazendo de nós uns claudicantes seres errantes.

Todos vulneráveis, na versão biológica nascemos.
Com o passar do tempo na dimensão cronológica finamos 
E tão pouco nos conhecemos,
Na regra ilógica de um amadurecimento,
Que em voláteis nos transforma
Às mãos da solidão, abandono e sofrimento!

Na vital linha do envelhecimento
Os que cuidam com amor aqueles que o necessitam
Devem ter sempre presente todas as formas de dor!
Sendo que as dores mais intensas
São sempre provocadas por quem,
Da leviandade é cruel semeador
E cuida os outros com frieza ou com desdém!

(Mariavaicomasoutras)