sábado, 16 de dezembro de 2017

#letrinhasminúsculas

Peguei no papel
Pincelei as palavras
Com letrinhas minúsculas
Provei-as... estavam tostadas
Sabiam-me a mel!
Para ti eram tristes
Desconexas e amargas
Pois não as sentiste.

Em boa verdade
Aquilo que sinto
É o que escrevo
E se te parece que há falsidade
Ou descargas de fel.
É porque vês ao contrário
No teu imaginário
O que não existe no abecedário!

(Mariavaicomasoutras)
#natal

Este é um Natal!
Presépios, luzes, enfeites
Ritmo de compras frenéticas
Algumas talvez patéticas.
Ceias com mesas cheias
E crianças enganadas
À espera do pai Natal
Que não trás prendas trocadas!

Este é o outro Natal!
Num mundo desigual
De olhares tristes, almas frias
Sofrimento, abandono e solidão.
Compras que ficam nas montras
Não há no bolso um tostão.
Pratos nas mesas vazias
E crianças esquecidas
Pelo próprio Pai Natal!

Enfim que mais poderei dizer?
Cada um tem seu Natal
A divertir-se ou quem sabe se a sofrer!

(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

#descrença

Toda a espera tem um custo
Seja o motivo qual for
Mesmo a espera de um amor
Pode ter um preço injusto.

No desespero dessa espera
Uma coisa pelo menos se alcança
A eterna e acre desconfiança
Da palavra que nunca será sincera.

Porque o que da boca sai
Quando o pensar se distrai
Ao olhar para aquilo que não tem

Deixa na espera a indiferença
Numa fria e apática descrença
Até no abraço de alguém!

(Mariavaicomasoutras)

domingo, 10 de dezembro de 2017

#segredosdavida

Reboliço maldito
Que sempre acordas
Meus olhos fechados
Sem hora marcada.
Certo é que respondo
Às diversas chamadas
De boca calada.
O irreal acontece
Pouco tempo depois
E faz parte da história.
Deste modo recordo
Por vontade própria
Que é com tais factos
Que se tece o passado
Num doce amanhecer
De honra e glória!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 9 de dezembro de 2017

#narcisismo

Se for pássaro algum dia
Não sei se quero voar
Com a ânsia de encontrar
Nas ilusões alegria!

Por outro lado asas ter
Mas acabar prisioneiro
Num imenso cativeiro
É uma vida a esquecer.

Com este ponto de vista
Talvez seja um Narcisista
Que se acomoda apenas.

Contudo o que mais certo sei
É que pássaro não serei
Apesar de já ter penas!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

#numsopro

Num sopro...Apaga-se a vela
Deixando a nu
Um pavio queimado!

Num sopro...Esvoaçam as folhas
Deixando sem graça
A árvore ao frio!

Num sopro...Projeta-se areia
Deixando a chorar
O frágil do olho!

Num sopro...Reacende-se a chama
Deixando que arda
De brasa até cinza!

Num sopro...Se perde um amigo
Deixando em nós
A maior solidão!

Num sopro...Se perde uma vida
Deixando a pairar
O gosto em ferida!

De que serve um sopro
Na vida da gente?
Pelo que se sente...
Ninguém fica contente!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

#adeusÉprecisotersorte

Quando fecundamos na mente de alguém
Não nos ocorre porventura a ideia
Que na vida é sempre preciso ter uma dose de sorte
Já que algum dia a polémica estética passeia
Sempre ao som de uma falsa modernidade
E de imediato é clamada a nossa inditosa morte.

Arrasam-me por ser demasiado alto
Desenquadrando a beleza a muita gente.
Marginalmente a um rio e Jardim criado
Acabo maltratado  impunemente
Pressentindo que meu fim terá chegado.

Só partirei quando de acolá me virem partir
Até lá fico de olhos e boca aberta a sorrir
Num silêncio somente abafado pela Sra d'Agonia.

Poucos verterão as suas lágrimas por mim
Saudades comigo apenas levo as do Jardim
E o desencanto de uma Princesa do Lima perdidamente vazia.


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

#razão

Entre duas ideias
Há palavras meias
Que ditas na hora
Da boca pra fora
Teimosas se afirmam
E se reafirmam.

Brutais barricadas
Nos dois lados montadas
Onde alguém fica ferido
Até mesmo perdido
Entre o coração
E a sua razão.

Que raio de sina
Onde tudo termina
Com um dedo em riste
Ou então se desiste
Com um grande chavão:
-Tens toda a razão!


Y(Mariavaicomasoutras)

sábado, 2 de dezembro de 2017

#escuro

Está escuro! É o temor!

Agarro os sons 
Em diferentes tons.
Defino o presente
Com esforço da mente.
Minuto a minuto
Conto e reconto
Com muita atenção
Todos os ciclos da respiração.

Está escuro! É o temor!

Um beijo que é dado
Sem estar acordado.
Uma longa carícia
Sem ser com malícia.
Desfaz-se em suspiro
Mal eu me retiro.
Meu corpo vazio
Já está meio frio!

Está escuro! É o temor!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

#analogias

Na área das analogias
Há coisas pra esclarecer
As coisas são como são
E como as queremos ver.
Tomando em conta a ciência
Fossem o ódio e o amor massas,
Diríamos de qualquer forma
Que então nada se perde ou cria
E na regra da conservação
Apenas tudo se transforma.
Mais o amor em ódio
Do que o ódio em amor
Nas regras daquela norma.
Mas se as massas são outras
É com o passar do tempo
Que o nosso ver as deforma!


(Mariavaicomasoutras)
#acordovital

Levantei a cabeça
Para ver onde andavas
E sem vacilar
Com três suaves passadas
Agarrei o luar.

Um aperto de mão...
Onde a pele suave
Fala do passado
Num mar de saudade
Por ter sido vivido com intensidade.

Com ele assino
Um acordo vital.
O luar dá-me a luz
Que abraçarei
Numa ânsia total,
Cedendo em permuta
Um sorriso discreto
Dos medos liberto
Deste tempo infernal.

Com toda a certeza
Que ultrapassei
A cruel da frieza
Daquele momento 
Em que um dia fiquei!


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

#registos

"Não quero isso para mim!"
Que afirmação perentória.
Onde não falta a coragem.
Mas a lucidez na história
Talvez não seja tão simples assim
Porque a luz da nossa memória
Trai-nos imensas vezes sem fim!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 26 de novembro de 2017

#falaremsilencio

Fala!
Fala comigo silêncio
Parece que estás sofrido
Quem sabe...
Se às escondidas
O ruído te perturba
E te fere algum sentido!

Fala!
Fala comigo silêncio
Eu sempre estive contigo
Quem sabe...
Dias e horas seguidas
Navegando em águas turvas
Guardando-te como amigo.

Fala!
Fala comigo em silêncio
Eu gosto muito de ti
Quem sabe...
Agora talvez me digas
Porque calado me julgas
Já que nunca te traí.


(Mariavaicomasoutras)
#comoébeloodia

Como é belo o dia
Na luz que irradia.
Sentir que a presença
Não requer licença
Para estar aqui.
Como é belo o dia
Se o tédio se vai
E então de nós sai
Com carinho um sorriso
Num perfeito improviso.

Como é belo o dia
Se o tempo que passa
Der um ar da graça
Que era o de ver
O mal a perder
Na luta contra o bem
Que é o ombro de alguém.

Que belo seria...esse belo dia!

(Mariavaicomasoutras)

sábado, 25 de novembro de 2017

#camaleão

E agora?
Pergunta banal.
Como é que eu faço
Se chove cá dentro
Tanto como fora?

Não há cor que resista
A um tempo obscuro
Em que há algum pão
Com bolor e tão duro!

E agora?
Pergunta real!
Ser camaleão já não é futuro
No mundo atual
Por ser sobretudo entre semelhantes
O mais torpe engano
Do mundo animal!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

#sextafeiranegra

Quem sou?
É pergunta que se faça
A esta figura íntegra
Das mais conhecidas na praça?
Sou o sexta-feira negra!
Estou aqui a ver quem passa!

De meus pais comerciantes
Desenharam-se os meus genes
Que são dos mais inteligentes
A enganar meio mundo
Com promoções e descontos
Que são um embuste rotundo!

Haverá exceções talvez
Nas vendas ao desbarato
Que convencem sempre alguém.
Não fiquem a olhar pra mim!
Nesta coisa de negócios
Ninguém dá nada a ninguém!

(Mariavaicomasoutras)


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

#espera

As pedras desta calçada
Desgastadas e sem graça
São como estáticos corpos
À espera talvez de nada.

Até o sol com sua graça
Que ali deixa algum conforto
Desiste ao ver que o desgosto
Revive e nunca mais passa.

No desespero da espera
Nada adianta dizer
É que a dureza das pedras...
Só se esvai nas vãs quimeras!


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

#pegadasnaareia

Tantas pegadas deixamos
Anónimas e incruentas
Nas tardes ensolaradas
Sem um pingo de ciúme
Naquelas finas areias 
Onde o sussurro das sereias
Nos despertava os sentidos.

Fixo agora o olhar nelas
À procura dos teus passos,
Ou mesmo da silhueta
Que o teu corpo deitado 
Marcava de forma discreta.
Encontro nas dunas saudades
Dessa partilha de abraços.

(Mariavaicomasoutras)



domingo, 19 de novembro de 2017

#repetidamente

Abre-se a janela
Sacode-se o pó.
Repetidamente... ele paira no ar
Viras-lhe as costas e volta a entrar.
Teimoso que é!

Abre-se a boca
Solta-se a palavra.
Repetidamente... ela não se cala
E tem o efeito por vezes de bala.
Impertinente que é!

Abre-se a pálpebra
Para ver o dia.
Repetidamente... a lágrima sai
Escorre pelo rosto sem dizer um ai.
Tristonha que é!

Abre-se a mente
Na reflexão... está a solução.
Repetidamente... ela chega tardia
Se fosse mais cedo não acontecia!
Retardada que é!

Poeira e palavras...
Lágrimas derramadas,
Com soluções atrasadas sempre em ricochete.
Repetidamente...o dia amanhece de modo diferente.
E mais uma vez tudo se repete!


(Mariavaicomasoutras)
#passoemfalso

Por entre irregularidades
Foi uma família unida
Descalça e desprotegida
À procura de verdades.

Ditou-lhe a sorte malvada
Que à beira do precipício
Ou matava ali um vício
Ou morreria afogada.

Como bons samaritanos
Sempre juntos há bons anos
Pede o pé auxílio à mão.

E sem qualquer sobressalto
O amor falou mais alto
Contornando a tal questão.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 18 de novembro de 2017

"Nada é tão perigoso para aprisionar a inteligência do que aceitar passivamente as informações."(Augusto Cury)
#defeitosefeitios
Não sei se o que dizem
Nem sequer se o que ouço
Vem no eco nas ondas
Ou se perde longínquo
No fundo de um poço.

Num rol de injúrias
Algo bafientas nas cinzas contidas
Há mil corropios
De ideais desgastados
Pelos maus feitios!

Descodificar os sinais
Vulgarmente emitidos mas aprisionados
É ser livre de estar onde os demais
Quase sempre encalham
Sempre que na discórdia permamecem calados.


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

#cruzes

Eu fiz uma cruz em nome da Luz!
Eu fiz uma cruz esculpida na pedra.
É um exagero o que ela me pesa
Tudo porque está tão firme e presa.

Olho para a cruz, fui eu que a pus!
Olho para a cruz porque me seduz.
E por todo o tempo que ela perdura
Há nela amor e muita amargura.

É aos pés da cruz que me ajoelho!
É aos pés da cruz que me vejo ao espelho.
O reflexo da imagem por vezes me diz
Mantém a coragem para ser feliz.

Com os olhos na cruz, levanto o véu!
Com os olhos na cruz, exploro o teu céu.
Um raio de Luz mostrou-me o caminho
Quem vai por ali nunca vai sozinho.

(Mariavaicomasoutras)


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

#Eraenãoera

Num momento de arejo
Quando te julgas seguro
Sem o olhar de um patinho.
Acabas um prisioneiro
Das bocas que no escuro
Te observam e confundem
Com um simples pestanejo.
Vá-se lá saber porquê!
Resta fazer um manguito
Tal como fez o Bordalo.
E com sorriso maroto
Porque nunca me atrapalho
Deixo que cantem de galo
E mando-os pró trabalho!


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

#diadabondade

Hoje dia da bondade
Alguém me perguntou:
Tens que idade?
Mas que coisa
Se essa verdade tem dono
Desde o dia em que nasci!

Contudo, por ser bondoso
Respondi de modo airoso:
Os anos que agora tenho
Fazem parte de uma tela
Pintalgada de experiências
Que em verdade suportam
Num mundo de aparências
O que consegues ver nela!

Não gostas?
Diz-me a verdade!
Qual a importância da idade
Se ela o Homem não faz
E ele não é capaz
De definir com garantia
Quando finda a sua angústia.


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 12 de novembro de 2017

#encontrocosmico

Voltas e mais voltas
Sem nunca parar
À volta de uma estrela
Num sistema solar
Não se cansam de andar.

Quando se aproximam
Mesmo que distantes
Alguém os cobiça
Num mar de ciúmes
E fala entre dentes.

Ai Vénus e Júpiter
Deixai que comentem
O vosso encontro
No gozo que dá
O que os outros sentem!

É que assim se vê
De modo algo cómico
Que há quem veja maldade
De tal forma insana
Num encontro cósmico.

(Mariavaicomasoutras)

sábado, 11 de novembro de 2017

#dizeradeusàsaudade

Uma palavra sentida
Um olhar que nos distrai
A ideia que alguém prende
Nas sombras de um saber
Que se aprende e longe vai.

Abre-se o livro ao acaso
Nada parece igual
Do lido tudo é diferente
Descobrindo em qualquer caso
Que o conhecimento é mortal.

E neste ciclo infindo
Algo aprende quem estuda
Mesmo o que dele se queixa.

Rodando assim vai o mundo
Mas há quem vá de abalada
Levando aquilo que não deixa!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

#Realverdade

Entre o real e a verdade
Vai uma grande distância
O real tem alguma aparência
A verdade muita ambiguidade.

É nessa aparente realidade 
Que muitos se apresentam
E na "bondade" nos deixam
A mentira como sendo a verdade.

Não adianta esconder
O que alguém nos quer dizer
Numa indumentária perfeita

Só há real verdadeiro
Quando o seu timoneiro
Nasce nu e imperfeito.


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

#opato

Tão habituado que estava
O pato à lodosa chafurdice
Em qualquer charco nadava
Com um ar de malandrice.

Há quem diga que por vezes
Como patinhos caímos
Importa é ser eficazes
E nesses momentos rirmos.

Quando pela luz do acaso
Numa pata o pato fica
Que se dane o atraso
Se o momento o justifica.

Há sempre um risco contudo
Nessa invulgar serenata
Que é o do pato ficar mudo
E sempre preso pela pata.


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

#umaformadeser

Quero que as jovens plantas
Nascidas no sedutor areal
Cresçam livres e sem máculas
Na sua forma natural.

Desenvolvimento sem dor
É muito pouco estimulante
E ser empreendedor
Não carece de mandante.

Crescei, plantas crescei
Sem vos deixar abater
Porque o tempo que esperei
Foi para vos proteger.


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 5 de novembro de 2017

#normalidade

É normal...tudo é normal!
Dizem: - Importante é aceditar!
Marés mil vezes repetidas e uma lua enganosa.
Um rio que corre à procura do seu mar.
Um vento que num sopro passa,
E uma folha que ao cair esvoaça.
Uma palavra que inflama e traz consigo uma mordaça!

É normal...tudo é normal!
Mesmo quando se está no teatro
Com atores nos seus papeis decorados,
Que igualmente nos trapaçam
Mas que no fim do espetáculo
Logo ao cair do pano
Há uma plateia que se levanta nas calmas,
A comentar algo da história
Num intenso dilúvio de palmas!

É normal...tudo é normal!
E é assim que então me apercebo
Que o ser-se um ser normal
Depende sempre de um certo tipo de enredo!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

#reset

Tão pura é a magia
Na ilusão que se sente
Talvez por uma surpresa
Se perde toda a certeza
E tudo é tão diferente.

Há caracóis que esvoaçam
Sobre quentes tons de romã
E os pirilampos que há lá
Sedentos ambos me abraçam
Pela frescura da manhã!

Esboço um leve sorriso
Sem nada ali entender
Sinto apenas que é preciso
Formatar o meu juízo
Voltar de novo a nascer!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

#todosossantos

Para todo o sempre
Ficam em silêncio!
São ricos ou pobres
Que interessam os estudos?
O repouso é eterno
De aqui para o além
Resta só a saudade
De uma outra vida
Lembrada por alguém!
Um palmo de terra
Cobre o ser que abalou
Mas liberta uma alma
Que não me deixou.
Ficou só um vazio
E um profundo silêncio
A lembrar-me quem sou!

(Mariavaicomasoutras)
#controvérsiasdeHalloween

Com olhos de ver não se vê
O descontente contentamento que ali há!
Sabe-se, por se saber já e logo
Que na leitura lida por ora e outrora
Há sempre dentro alguém que está do lado de fora!

É a imperfeita perfeição da imperfeição
De seres que sem serem o que são
Se apresentam em conjunto separados
E no dizer habilidoso se desdizem
Sendo nas habituais derrotas conquistados!

Nada sobra do pouco que ainda resta
Das cheias palavras ocas e bacocas
Que uns vendendo assim nos compram
Ditando que o azar será quem sabe a sorte
Nesta vida que sempre conduz à nossa morte!


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

#HalloweensweetHalloween

Acordei cansado e sobressaltado!
Vi a bruxa má a esvoaçar
Subia e descia sem nunca parar!
Levantei-me logo ao piar da coruja,
Tropeço no preto de pêlo eriçado
Claro que é um gato...
Deixou-me assustado!
Logo de seguida, sob a escada passo.
Tanta travessura que sorte danada.
Acendo uma luz, ou duas ou três!
Surge uma doçura!
E o pesadelo?
Desfez-se de vez!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 29 de outubro de 2017

#caminhosdeumpassado

As folhas que caem
Como nós caímos
Pisados pelo tempo
São folhas que cobrem
Momentos vividos
Que não queremos mais
Por ficarmos feridos.
Já tudo pisado
E amarfanhado
Fica como está
Pertence a um
Passado.

(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

#outonodavida

Um estrado de folhas
Repousa no chão.
Eu quero passar...
Piso-as ou não?

Estão já inertes
Com cor já pasmada...
Mas foram o manto
Que me protegeu
Num tempo em que o sol
A pele me tostava!

Um manto de folhas
Caídas no chão
Apenas me dizem
Que o Outono chegou!

Algumas eu piso...
Com todo o sentido.
Já que no rumo da vida
Também por ali vou!


(Mariavaicomasoutras)
#hojeapetece-mefalar

Hoje apetece-me falar de alguém!
De todos e de ninguém.
De quem pensa ser um detentor.
De quê? Da verdade! 
Do que haveria de ser?

Uns porque são jovens rebeldes
Outros porque já atingiram idade
De esquecer o que acabam de comer.
E é vê-los bem calçados 
Sapatos de tacão alto, todos empiriquitados
Sempre com os dedos apontados,
Mas manipulados pela razão que lhes convém...

É tanta a falta de respeito
Por falta de educação 
Fazendo corar por vezes 
Aquele ser controverso que é o camaleão!
Respeito senhores, respeito!
Pois é...os outros não têm razão!
Acabo como começo...
Hoje apetece-me falar de todos e de ninguém.
Claro está que falei de alguém!
Passem bem!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 22 de outubro de 2017

#verdooutrolado

Nas voltas que às vezes dou por aí
E quando te vejo deste recanto onde estou
Descanso por breves e lúcidos  momentos
Iluminando com intensidade a inconsciência
Que irá dar fluidez à formação da minha consciência.

Invadem-me então uns invulgares sentimentos
Fazendo com que o ver seja mais que observar,
Pois há um pulsar ali presente e que se sente
Formatado por diferentes e cíclicas gerações
Que permitem a abrangência das respostas sociais.

Quando a chegada a senior é a regra 
Quantas vezes confirmada por fatídicas exceções,
Transportam-se nas bagagens desta vida,
Que é bonita mas tão dura nas ausências, abandono e solidão,
Uma imensa carga de lacunas nos sofridos corações.

Resta agora a porta aberta por alguém que em equipa
Procura amenizar o lado invisível de quem sofre pela calada
Procurando na maior fragilidade das respostas
Dignificar todas as crenças e os valores 
De uma forma dedicada, honrada e abnegada.


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

#oporco

Naquela vara passeando em conjunto
Soltou em surdina breves grunhidos,
Ao saber que o seu futuro passa pelos enchidos
Ou quem sabe, por um naco de presunto.

"São sortes"- pensou baixinho
Realmente aquilo de ser suíno
Não encontra outro destino
Na permanente procura que faz com o seu focinho.

Quando encontra alguma pérola
Não a guarda na sacola
Pois destrói-a com os dentes.

Faz-me lembrar seres humanos
Demônios com cara de anjos
Que a legislar esmifram as gentes!


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

#conversaparalamentar

Miau!
Dizes-me tu ternurento
Enquanto ouço as notícias
De um país já em pranto!
Miau!
Repetes tu, que chantagem
Enquanto continuo a ouvir
Que há políticos sem bagagem!
Miau!
Repetes de forma arisca
Enquanto ecoa a habilidosa verborreia
Saída de uma boca sinistra!
Miau!
Repetes tu mais contente
Enquanto absorvo o pensar
De quem na república é o presidente!

Miau! Dizes-me tu!
Miau! Dizemos agora os dois
Que a miar nos entendemos
Neste diálogo em que os bois
Têm os nomes que sabemos!


(Mariavaicomasoutras)
#mordeduracanina

Rodeados de amigos ditos fiéis
Na nossa Terra peregrinamos
Entre enganos e desenganos
Quantas vezes indigeríveis!

Mas é nas curvas da estrada
Ou nas sombras do caminho
Que agigantam o focinho
E nos mostram a vil raiva instalada.

Por entre rosnas, uivos e latidos
Ou um ladrar que nos fere os ouvidos
Ficamos com a mente embaraçada!

No disfarce esses amigos se vestem
Mas sorrateiramente investem
E nos mordem pela calada!


(Mariavaicomasoutras)

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

#orato

Anda tudo atrás de ti
Roedor aventureiro
Porque não dizes aqui
Onde tens o mealheiro?

Eu não quero esses trocados
Que mostras a toda a gente
Quero os milhões endossados
Pra fora do continente!

Sei que por seres esguio
Vives à tua maneira...
Vai ser um bom desafio
Prenderem-te na ratoeira!


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 14 de outubro de 2017

#raposa

És tão astuta e matreira
Nas tuas lides mundanas
Que quase sempre m'enganas
Com a tua brincadeira.

Sempre de algo sedenta
Com o focinho empinado
Procuras um descuidado
Porque a fome é violenta.

Quando àquilo que desejas
Infelizmente não chegas
Arranjas desculpas reles.

Tal e qual como os que dizem
E esquecidos se contradizem
"Não fui eu que votei neles!"


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

#esteaquidizqueoé

Mas que grande e alegre conversa
Entre os burros acontece
Que por vezes até parece
Que o "hi-ho"é uma lingua perversa.

Dizem uns tais estudiosos
Que o zurrar é uma arte
Que conduz pra toda a parte
O pensar aos mais vaidosos!

E pelo falar desses malditos
Convictos e pouco eruditos
A nossa cabeça esvai-se.

Só consegue entendê-lo
Quem lhe passa a mão pelo pêlo
E se arrisca a um bom coice.


(Mariavaicomasoutras)
#sextatreze

Numa vassoura sentado
Viajando pelo ar
Vi que a bruxa sem parar
Às escuras me deixava.

O gato preto, coitado
Vendo a lua esfumar-se
Miou tanto até cansar-se
Desfalecendo a meu lado.

De sal, arruda e incenso munido
Em frente ao espelho partido
Invoquei as vivas almas.

Espero agora o resultado
Deste feitiço salgado
Na maior das minhas calmas!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

#nebulosidades

Veio o nevoeiro ocupar o amplo espaço
Pertencente aos domínios do campo de visão.
Reduz-se assim o valor da imponente e sã paisagem
Convertendo a quadratura da imagem
Na vulgar bazófia da narrativa provinda do jogador.

Nada há que nunca fique à mercê
Das nebulosidades imprevistas
Oriunda vá-se lá saber como e porquê!
Nem juiz que porventura das circunstâncias não decida
Tramitando a sua sentença em julgado...
Seja como for...são assim as incoerências irrecorríveis da vida.


(Mariavaicomasoutras)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

#opesodaverdade

Nado e criado num antro de convulsões
Brotou aquele que num esperançoso dia
Se assumiu como sendo a garantia
De recuperar a verdade no reino das ilusões.

No seu doloroso e frágil crescimento
Onde a estiagem foi a permanente regra
Venceu por aquela chamada "unha negra"
Que acabou por não lhe garantir o sustento.

Assistindo a um esbanjamento permanente
Numa caduca náusea vai sorrindo lentamente
Deixando que a quimera se esvaia perante as dificuldades.

Irá o tempo dar-lhe um universo de razão
Quando tudo estiver arrasado pelo chão
No inegável peso transportado pela mais pura das verdades! 


(Mariavaicomasoutras)

#quarentaanosumavida

Quarenta anos se passaram na verdade
De um curso de enfermagem surpreendente,
Onde perdura mais que o saber a amizade
Que na airosa e colorida imagem se sente.

A vida transporta em si mil e um reveses
Não me permitindo estar convosco presente.
Mas como nas milhentas outras vezes
Sinto que não estive de todo ausente!

A todos deixo um caloroso e terno abraço
Recordo-vos com saudade e  emoção
Na certeza que há e haverá sempre um laço
Que nos une bem mais perto e dentro do coração!

(Mariavaicomasoutras)



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

#deontematéamanhã

Ontem! Pensei em alguém...
E pensei bem!
Que a distância é o que une
O que a distância separa!

Hoje! Penso em mim...
E penso bem!
Que as horas fazem os dias
Que os dias levam embora!

Amanhã! Pensarei a última vez...
Pensarei bem?
Que hei-de chegar a partir
Porque a chegada é partida!


(Mariavaicomasoutras)

domingo, 8 de outubro de 2017

#amor(fos)#love(matches)#amour(llumettes)

Amor é fogo?
É fogo é!
Quando a nossa mente
Dá ordens ao coração
Para se atirar em frente,
Ligando a ignição!
Logo, logo incendeia
Como quando esfrego o amorfo
Na parte chamada lixa!
E quando se aproxima
A chama de um pavio
Num instante se faz luz!
Tal e qual ligar a ficha
Com os fios descarnados
Sente-se logo o arrepio
Pela descarga atingidos
Quando alguém nos seduz!
O fogo tem o seu perigo
E há quem saia queimado
Basta olhar para o umbigo
Esquecendo quem está ao lado!
Fala um carbonizado,
Neste poema de amor.
Umas vezes fui queimado
Outras... incendiado!
Mas sempre tenho aprendido
Que tem muito mais valor
Um Amor algo sofrido
Do que o falsamente vivido
Sem réstia de qualquer chama
E ausência de calor!

(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

#nodiamundialdosorriso

S_onhar não custa
O_nde acordado se está!
R_aia pura a luz do dia
R_asgando da penumbra
I_lusões de uma vida diferente!
S_erenos assim ficamos
O_lhamo-nos..depois sorrimos!    


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

#mãoevida

De mão dada com a vida
Procuro sempre a saída
Que não queria de emergência
Apesar da impaciência.

A luz daquele pavio
Inclinado pelo frio
Fala comigo calada
Indicando-me a estrada.

Por ali segue o coração
Com a vida de mão dada!


(Mariavaicomasoutras)