terça-feira, 31 de julho de 2012

La mala costumbre!

Neste período de férias tive o gosto e até o prazer de reencontrar a Maria, a outra, diferente de mim até na nacionalidade porque é espanhola, a Carmen, ou Carmencita para os mais íntimos...
A curiosidade deste assunto é que falamos largamente sobre a "mala Costumbre" que o ser humano tem de colocar obstáculos nas relações interpessoais.
Somos verdadeiras Marias e Maneis que se desgastam a dificultar a própria vida esquecendo-nos do importante.
O pretexto para ouvir e compreender uma outra Espanhola, Pastora Soler..

Hoy vos lo daria todo...!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

De férias...Escapadinha.

Honrosa a tua visita
em tarde de nevoeiro.
Aconteceu escapadinha
na conversa tua e minha,
No antro do timoneiro.
Teve um pecado...foi curta!
mas ficou a garantia de uma nova visitinha.
Falar de estudos e exames...
De contratos...de trabalho...
Da chulice e dos vexames...
Onde só resta uma ideia,
Mandar tudo pro... #aralho!
Falou-se de tudo um pouco,
era essa a intenção.
Foi tudo tão natural
 e por isso foi tão bom!
Voltados um para o outro,
Num frente a frente soberbo,
Despedi-me com dois beijos
Em teu rosto respeitado,
pois não sou nenhum estafermo!
"Porta-te bem" é o chavão
De alguém que te admira
No fundo do coração!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sabores - FÉRIAS


Vou de férias, não sei quando volto ou se chegarei a voltar.

Passarei muito do meu tempo aqui
Repousarei nesta
Lambuzar-me-ei nestes
Não faltarei a  estas
E porque não uma escapadinha até ao reino?
Tudo o resto serão acontecimentos ocasionais

“ O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que os outros fizeram de nós” (Jean-Paul Sartre)

Sabores - Agre (IN)CULTURA


Nasci…

No tempo me cultivei.
No meio de tanta mistura
Com sabores que só eu sei.
No complexo da cultura
Entre cursos e percursos
Em Mulher me transformei!

Ouvi muita teoria,
Dei a mão à palmatória,
Das línguas à Filosofia
Da Matemática à História.
Nos regentes, Mestres vi!
De Profes guardo a memória!
Mas também eu conheci
Fraquinhos da cachimónia.

De boa aluna a retida,
Por vários tipos de faltas,
Do saber ou de ir às aulas.
Sempre fui “a divertida”.
Foi intenso o prazer,
Saboreei o futuro,
Do sabor desta cultura,
Nunca crescida no escuro.

Semeada no estudar,
E  muito eu produzia
No esforço de decorar
No jeito de copiar!
Ai os sabores que eu guardo
Com carinho e com amor!
Atraiçoa-me a idade,
Por isso eu já esqueci
O sabor de algum estupor!

Hoje…Tudo é diferente!

Na riqueza de Bolonha
Proliferam uns sabores
Que ao povo metem vergonha…
E sem tempo p’ra cultura
Colhe-se licenciatura…
Não é preciso semear
Basta a semente creditar…

Por isso vou rejeitar
Esta lusa..
Acre…
 e triste…
 (in)Cultura!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A(na)lfabeto de um (des)conhecido


Depois de uma leitura esforçada (na tradução) do livro Berrington Day. Being the Musings ... of a Broken-legged Patient at the County Hospital, Shropshire. Escrito por A. C. Hawkins em 1935, que relata o observado/vivido e sentido durante o internamento devido a um acidente em que fracturou uma perna...um dos capítulos é o “alphaberrington”, decido fazer uma catarse e aqui fica o meu A(na)lfabeto de um (des)conhecido

A de Álcool
Que arde mas desinfecta,
Quando a pele não está suja e a bactéria é discreta…
A, de Algália, a atrevida, digamos que intrometida,
Vai libertando a bexiga da urina aí contida.
A de Anca
Ao ver-te do lado de fora, que figurona és.
Moldadas minhas mãos ficam ao percorrer tuas linhas
Esbugalham-se os meus olhos pensando nas entrelinhas
Tantos trais, sua aldrabona,
 No interior não tens pose
Ao grudares-te numa artrose progrides para anquilose.
Manténs-te em adução
 Cansada de abduções,
Ao levares com uma prótese arriscas-te a luxações.
Com a idade vais traindo
 Muito mais no feminino,
Fraturas teu colo faminto…d’um cálcio que foi perdido
B, de Bata em todo o corpo vestida
Reveste todos os corpos …traz muita coisa escondida.
De Bisturi porque não… incisivo como é
Onde passa deixa marcas
Se não está em boa mão.
B de braços que se abraçam
Em momentos de conforto
B de Braços que se afagam
Quando dois corpos se amam
B de Braços que disputam
No desporto quando lutam.
C ,de coração
Que passa o tempo a bater
Quando pára, é um corre-corre
Deixando a escolha à razão…
Reanima-se ou não!
C de Crânio, caixa dura,
 Inteligências tu guardas
Em cinzenta massa mole…
Tão mole, que até arrepia!
Se te atinge a trombose ou te comprime a hemorragia!
É o acidente vascular,
… pretexto p’ra te trepanar!
 Tu um Esquecido?
 Não queres ser!
 Mas permites um abuso,
Quando deixas penetrar …. o Alzheimer esse intruso!
Ah! Meu crânio esburacado, no teu ouvir, olhar, cheirar
E na boca apaladado …
Pena que o aí penetrado também seja vomitado…
D, de dúvida no diagnóstico
Entre um é e um pode ser
O ser pode morrer…quase sempre sem o querer!
D, de dor sinal vital.
Mesmo no baixo da escala é porque algo está mal.
De Doutor! …faça o favor.
Que é doença em Portugal!
D de dedos, Contados de um a dez,
Nas mãos ligados a carpos e a tarsos se nos pés.
Cumprimentam-se os primeiros
 Os outros dão pontapés.
Podem contar-se mais dedos …Cuidado, isso é um revés
Chega a mostarda ao nariz
Se um dedo está a mais, pode ser o do pé…nis!
Quando meus dedos eu cruzo,
 Nos teus dedos meu amor,
Deixamos que em nós se troquem tácteis doses de calor!
E, de enfermeiros, seres que entram em nossas vidas
Prevenindo nos primários
Cuidando na fase aguda…
Seres humanos afinal, mas no trato…
 nem tudo é igual.
E de Esófago, Onde passa o que se ingere
Com o álcool te inflamas e a motilidade perdes.
Nesse teu perder engasgas…
E disfagia… é uma grande agonia.
E, de Esqueleto
 Tão perverso, sempre com frente e verso
Ao corpo dás consistência,
Mas provocas um tormento ao perderes a resistência…
Se o osso não regenera …dás lugar à plastia!
F, de farmácia
Onde se pensa ter tudo e para todos o mal,
Mas isso é uma falácia….
Nem tudo é igual!
F, de fractura… e quando o osso se parte
A coisa muda de figura.
Fantástico esse teu F meu Fígado depurador
Apagas-te na cirrose, das doses do bebedor.
G, de gesso que envolve
O osso que é forte … e tão fraquinho.
G, de grito quando na dor provocada
Não surge um gesto expedito.
G de gânglio, um sinal
Que algo estará mal…
H, de Hospital,
Onde qualquer espera …é sempre, uma demora infernal
Homem nesse teu ser tens H mas não tens Hímen…
E nem todos se perfuram!
Penetrar não tem saber, mas mesmo que alguém o rasgue
Para mim é sempre virgem!
De Hallux, o meu fetiche
Pena que o joanete o lixe…
I, de Inteligência
Na prática do Intensivismo
I, de Ignorância
Quando nos tratam como um numero…
I, de Iodo usado pelo corpo todo…
Intestinos, porque não,
Onde em excrementos se transforma
Tudo aquilo que é bom!
J , de jejum..jejua o pobre, jejua o rico
Quando demorado, de igual modo pode dar-nos o fanico…
De joelhos…e quando tu te ajoelhas
E a meus pés, tua cabeça levantas…
É como o nascer de um dia
Que dura até às tantas,
Num mundo de fantasia atéchegar novo dia!
K, de kilograma, o que rápido cresce
No corpo de muita dama…e mais não digo
Ao olhar o meu umbigo.
L, de língua
Pô-la de fora não é palhaçada
Porque nos vai indicando se estás bem hidratada…
L, de lábio
Corado e lambuzado
Pode ser febre, porque beijo não foi dado.
Já que falei em lábio
Porque não no plural,
Pequenos e grandes lábios
Sempre juntos, tal e qual…
M, de médico e também de Medicina
Pratica-a o primeiro o que a segunda ensina…
O M é de Morte
Quando a vida termina
N, de Noite
O turno mais longo quando estamos mal.
N de nervos,
Condutores de quem se excita
A qualquer hora do dia…e isso também irrita!
O de ouvir…pré sinónimo de trair,
Quando quem ouve não escuta.
Ouvidos de mercador muita gentinha os tem
Fazendo-se sempre de surdos
Não escutando ninguém!
P…é, nis…to acredito
Que a muitos preocupa.
O tamanho pouco importa,
Quando é bem trabalhado
Um lugar do corpo ocupa…
P de peito, peito feito…
Todo inchado, apresentam-se alguns
Não é para dar de mamar…
Pois mamam eles ao mandar…
Q, de quanto isso me custa
Querer é poder, mas apenas mama quem pode
E nem sempre quem o quer, mesmo que a necessitar!
E no meu querer eu resisto, persisto…
Eu? Não mamo … e tanto insisto.
R de raiva,
Na mordedura manifestada no prazer de uma dentada!
R de rádio esforçados
Que não tocam, mas tocando
Mantêm os seres abraçados!
R de rinite
Que a muitos aflige,
Mesmo que não acreditem
Quando pinga…a coisa minga!
S de simpatia que a muita gente faz falta
Há cá cada sirigaita
Más respostas dando à malta!
S de sexo
Que bom!
Em qualquer ocasião…
S de síndrome
Ou de sinal ou sintoma,
Onde as coisas acontecem
Mesmo estando no coma!
T de tórax empinado
Suportando altivas mamas,
 Exibindo seus mamilos.
Todos lhe chamam caixa e não tenham ilusões,
Só mesmo uma fortaleza p’ra segurar quem lá mora:
O coração e os pulmões…
T de Tornozelo,
Onde uma dita tatuagem embeleza muitas pernas,
No entorse a pouca sorte
Na fratura uma tortura…
O nosso T também está
Numa bolsa tentadora
Que são uns tais de Testículos.
Na alcunha são tomates com fins ejaculadores,
Seu horizonte é o U
O Útero, mentes perversas!
Onde esfaimados se atiram,
Aos óvulos algo dispersos!
É giro ver como empina o útero na letra V
Da assertiva Vagina.
No W, ou duplo V
Vai e vem-se,
Vem-se e vai…
No prazer de quem lá cai.
X, Y… já está
Misturados qual incógnita
Macho macho,
Fêmea Fêmea
Macho fêmea
Fêmea Macho
Por vezes, confusão maldita!
E o Z?
Serve p’ra quê?
Para ao Zénite eu pôr
Tuas pernas alinhadas
As quais eu vou afastando
Sem nunca tas pôr luxadas!
De A a Z disparato neste texto aqui escrito
Falo do que não calo mas o que calo omito!
Leitor que aqui chegaste
Podes pensar o impensado,
Que a leitura não te afaste
E narra-me o não narrado!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

sabores - PECADO


Perdido nos meus sabores
Sem enjoo nem enfado,
Deleito-me com meus amores
Em que o sabor é o pecado.

Meus olhos comem ao ver
Teu corpo não enfeitado…
Meus lábios já estão a arder
Sem nunca te ter tocado!

Na humidade da saliva
Que a glândula segrega,
Brota uma ideia lasciva
Que em minha mente navega.

E o pecado acontece…
E o pecado não nega…
A tua rosa floresce…
Minha língua em ti navega!

Afundo-me em teus recantos
Onde meu corpo penetra…
Perdido nos teus encantos
Não há um ponto final… apenas um etc…

Não há sabor igual
Minha boca não o nega,
Esse é o pecado afinal
Por ser um sabor que cega!