Um Blogue,como muitos outros. "Tudo o que somos incapazes de dar nos possui" (André Gide)
quinta-feira, 21 de maio de 2026
# Resumo Vivo
Outro final de dia, o meu resumo de vida...
E vejo o nosso amor: inteiro e renascido!
É ali, naquele traço de luz que nos chama,
Que o mundo faz sentido, longe do ruído.
O céu, estranhamente nublado e pesado,
Não é presságio de chuva nem de tormenta.
São apenas olhares de um mundo fechado,
De vozes que o preconceito cego alimenta...
Essas nuvens cinzentas, que tentam filtrar o sol,
São o espelho de quem não sabe o que é voar!
Gente pequena, presa num triste lençol,
Que teme a cor que o amor insiste em pintar.
Mas o nosso horizonte... esse é intocável!
Não há sombra ou julgamento que o possa apagar,
Pois, enquanto houver luz pura e inabalável,
Haverá sempre um céu onde nos podemos amar!
(Aníbal Panza - 18.04.2026)
# Abrigo eterno
Olho para o céu... parece que se inflama!
O meu olhar capta, em paz, a verdade.
Na nuvem que explode a voz de quem ama
E onde o carinho não se julga pela idade.
O perfume da chuva e o teu toque na mão
São laços de um tempo que não se encerra,
No qual o ouvido perscruta, a cada pulsação,
O gosto da vida que traz a Primavera!
A tempestade não apagará este brilho
Que o horizonte eterno agora consome,
Pois somos, em vida, o mesmo caminho,
No qual o tempo pára ao ouvir o teu nome!
(Aníbal Panza - 15/04/2026)
#Celebrações
Livres crescem, nos campos
Plantas com suas flores,
Renovando sem estereótipos
A paisagem mesclada de cores!
Toda a atenção é-lhes merecida,
Ainda que com sacrifício ou dor...
Com elas celebramos a Vida,
A Esperanca, a Gratidão e o Amor!
Na doçura que a vida desenha
E no brilho que a Páscoa traz,
Emerge a flor que meu peito conduz.
Que o destino em nós se mantenha,
Selando num abraço a Paz,
Florida pela celebração da cruz!
(Aníbal Panza - 05/04/2026)
#Como me vês
Será que é com espanto
A forma como me vês!?
Carregando o meu quebranto,
Sem critérios nem porquês?
No teu ver, quem sabe,
Se porventura ofuscado,
A minha imagem se acabe,
Perdida entre presente e passado.
Nesta vida em constante desafio,
Gostaria que em mim visses
O calor de um abraço amigo!
Já que, de qualquer modo ou feitio,
No que tu porventura decidisses,
Serias o meu destino e eu teu porto de abrigo!
(Aníbal Panza - 29.03.2026)
#Nuvens
Caminhamos diária e arduamente,
Absorvidos por inúmeras preocupações,
Sem conhecermos, certamente,
Como suportaremos as nossas emoções...
Entre um olhar permanente para o chão
E um outro que se eleva para o ar,
Sentimos o arritmico bater do coração,
Afectado por algumas nuvens a pairar!
As dúvidas que elas nos trazem,
No seu dissipar lento mas absoluto,
Vão perturbando no ver a claridade...
Do local, onde o amor e a verdade jazem,
Completamente livres de toda a falsidade,
Até formarem aí um laço eterno e resoluto!
(Aníbal Panza - 26.03.2026)
#DiaMundialdaPoesia
Encantado com a poesia
Que brilha no teu olhar,
A qualquer hora do dia,
Entrego-me à fantasia
Dos silêncios no falar...
E, das palavras espontâneas,
Lançadas para os combater,
Algumas são combustível,
De origens tão estranhas,
Que fomentam o arder!
Acabo assim, perplexo,
Na busca do que dizer
Para extinguir a fogueira,
Porque no teu olhar reflexo
Encontro o meu próprio ser!
(Aníbal Panza - 21.03.2026)
#Dia do Pai
Um dia! Sempre mais um dia, a cada dia!
Hoje, o Dia do Pai no rumo do calendário.
E quem nunca, na sua viagem de poesia,
Não viu a vida toda virada ao contrário?
Sem luz nem fé, sem família nem raízes,
Caminhando num itinerário tão arbitrário,
Culminando num corpo cheio de cicatrizes...
Um dia! Para ser vivido e pensado.
Sem muito aprofundar a ciência
Nem reinventar, quem sabe, o já inventado.
Que, após as quedas, é a nossa resiliência,
O desenho no qual se registam as matrizes.
Que o diga S.José que, sendo "pai adotivo",
Superou o destino para nos fazer felizes!
Que o filho que chora seu pai ausente,
Mesmo que a dor lhe roube esse sentido,
Mantenha no seu peito o amor presente.
Se no tempo se faz forte e consciente,
Jamais se sentirá um filho perdido,
E terá a luz do "Pai" sempre permanente!
(Aníbal Panza - 19.03.2026)
#Vida
Faz-se e desfaz-se nos dias
A vida de cada um,
Acontecendo ao segundo
Sequências de arrelias
Mas também de alegrias,
No óbvio do senso comum.
E, no total desses dias,
Consolida-se assim a idade,
Destacando-se alguns
Envoltos em nostalgias,
Construindo na vida poesias,
No mar da diversidade.
Por isso, ontem fiz anos,
Originando os artigos
Que aqui deixo apressado.
Hoje, nos meus planos
Está agradecer aos amigos
Dizendo-lhes: MUITO OBRIGADO!
(Aníbal Panza - 07.03.2026
#Vida
Faz-se e desfaz-se nos dias
A vida de cada um,
Acontecendo ao segundo
Sequências de arrelias
Mas também de alegrias,
No óbvio do senso comum.
E, no total desses dias,
Consolida-se assim a idade,
Destacando-se alguns
Envoltos em nostalgias,
Construindo na vida poesias,
No mar da diversidade.
Por isso, ontem fiz anos,
Originando os artigos
Que aqui deixo apressado.
Hoje, nos meus planos
Está agradecer aos amigos
Dizendo-lhes: MUITO OBRIGADO!
(Aníbal Panza - 07.03.2026)
#Eu
Às vezes...
Não sei se o tempo pára,
Indicando que enlouqueço,
Bordando com espinhos o caminho!
A sorte está no encontrar
Lúcida guia no evitar do tropeço.
Permito-me assim dizer,
Abraçado ao destino:
Nada sei sobre o futuro,
Zelo aquilo que parece
Acalentar os passos dados no escuro.
(Aníbal Panza - 06.03.2026)
#A máscara e o disfarce
Serenamente,
Observamos o que nos rodeia...
E é mesmo à nossa frente
Que tudo ali acontece,
Consciente ou inocentemente!
Se o ver é como o vemos,
O sentir é o que medeia
A máscara que oculta a mente
E o disfarce que parece
Perseguir-nos permanentemente...
O que podemos fazer
No carnaval da vida de cada um?
Manter firme a máscara,
Disfarçada de inofensiva,
Ou mascarar o disfarce que nos macera?
Talvez nada, de verdade.
Afinal estamos no carnaval dos carnavais!
(Aníbal Panza - 16.02.2026)
#tempo
Naquele céu azulado
Que sempre esconde as estrelas,
Pairam tantas incertezas
Que qualquer luz perfurante,
Por mais ínfima que seja,
Mostra o caminho em frente,
Na dúvida que nos tortura+
Soprando vai o vento ao ouvido...
Uns sons que imitam palavras,
E a chuva que, sem sentido,
Com o tempo as vai deixando molhadas,
Num rosto de amargura!
Escorresse assim a nebulosidade,
Transformada num sol de pouca dura!
(Aníbal Panza - 07.02.2026 )
#Aparências
É por demais evidente
Que no viver é crescente
A névoa super arreliadora
Que, indefinida, reluz...
Não sei de fora para dentro,
Apenas sei que não vai embora!
Nesse crescer evidente,
Fico demasiado impaciente
E procuro nas ciências
A reposta que me seduz...
Escondendo nas vivências
A verdade com aparências!
De qualquer modo, vou em frente
Ainda que certa mas pobre gente
Na vida pouco ou nada me diz,
Porque ao ver plantas a florir
Respiro pela luz que há-de surgir!
(Aníbal Panza - 01.02.2026)
#Convicções
Em dia de Eleição,
Procuro o meu candidato
Pelo nome e o retrato
E, no segredo dos Deuses,
Deixo a escolha bem à vista,
Com toda a convicção!
Num boletim com alguns nulos
Luis, André, Eduardo, Joana
Vieira, José, Catarina, Cotrim,
Humberto, Seguro, Mendes, Ventura
Filipe, Melo, numa formatura,
No qual cada um seleciona os seus casulos!
Eu voto sem igual
Numa eleição em que escolho,
Sempre com convicção.
Sinto-me vitorioso com o copinho na mão!
Acreditem... sei escolher.
Neste local, a ginja não tem rival!
(Aníbal Panza - 18.01.2026)
#Ficar
Nas correntezas conhecidas
Da natureza envolvente,
Há quem chegue,
Há quem vá,
E, numa contra corrente,
Há muito pouco quem fique.
Quando olhamos para a água,
Que aparenta ficar,
Há um lento movimento,
Parecendo ir mexendo,
Na procura de uma lua,
Que tanto tarda em chegar...
Com tal estagnação,
Ainda que o lodo surja,
Nas margens e no seu leito,
Quando em fila todos vão,
Só fica quem nos merece
E nunca será em vão!
(Aníbal Panza - 17.01.2026)
#Olhar
Nos teus olhos
Ponho os meus,
E sinto que vês em mim
O que não consigo ver em ti!
É nesta forma de ver
E de sentir entre nós
Que não vemos o que queremos
Mas sentimos o que vemos!
Daí que o ver e o sentir
São como os namorados
Quando, de olhos fechados,
Se entregam a um porvir!
(Aníbal Panza - 11.01.2026)
#Adeus
Por momentos,
Pensei que não te suportava,
Durante esses teus 365 dias,
Em que me deixaste ao sabor
Dos teus apetites e caprichos...
Chorei,
E digo-o sem ódio nem amargura,
Apesar desse teu ágil calar,
Que a vida nem sempre é a doçura
Que os manuais nos querem ensinar!
Sorri,
Sabes tão bem porquê e quando,
E sempre que graciosamente
Me disseste ao ouvido sussurrando
A palavra amorosa ou a piada diligente.
Adeus, vai-te!
Vai embora, ainda que deixes saudades.
Essa será a prova que novos dias
Trarão consigo outras ambiguidades,
Que darão vida às minhas fantasias!
(Aníbal Panza - 31.12.2025)
#A árvore
Sei
Que, quando me sentei,
Estavas ali,
Representando o Natal
Sob a forma de uma árvore.
Acredita,
Esperava encontrar-te
Num verde natural,
Ainda que coberta
Com neve artificial.
Porém,
As coisas são como são,
Não como as imagino,
Gerando tantas vezes em mim
Uma imortal desilusão.
Juro,
Vi-te ali, branca e pura,
Mas alguém, qual adepto da verdura,
Escondeu-te com vergonha
Não suportando a pública censura.
(Aníbal Panza - 29.12.2025)
#Círculos
Pé ante pé,
Vão-se juntando as pessoas,
Demonstrando a quem as rodeia
Que a vida se vive com fé.
Entre as diárias tormentas,
Há folhas que vão caíndo.
Mas pensemos: "se aguentas"
É porque assim vais vivendo!
E quando todos se juntam,
Pisando as folhas outonadas,
Criam-se círculos que revelam
O valor do amor nas jornadas!
(Aníbal Panza - 28.12.2025)
#Feliz Natal 2025
No passar do nosso tempo,
Permanece o que é sincero,
Ainda que algum lamento
Nos traga algum desespero!
Que importam os vaticínios
Ou os ciúmes controversos
De alguns meninos mimados
Com pensamentos perversos!?
É, assim, a nossa amizade
O que mais importa no final.
De lealdade, honestidade e sinceridade
Se faz o nosso Feliz Natal!
(Aníbal Panza - 24.12.2025)
#77-80
Na avenida onde começamos um dia,
Tudo se parece como dantes.
Permanece porém na nossa memória
Aquilo que fomos enquanto estudantes.
Singelos alunos e companheiros,
Rapidamente fomos crescendo
Como exemplares Enfermeiros
E a nobre profissão engrandecendo.
Cada ser humano com que lidamos
Faz do seu sentir a nossa avaliação.
Prestando cuidados ao longo dos anos,
A Enfermagem é a nossa dedicação.
E hoje sentindo cumprido o dever,
Sempre com respeito e verdade,
Esperamos de quem nos possa suceder
Cuidados Humanizados e com Qualidade!
(Aníbal Panza - 18.10.2025)
#MVA35
M.árcia, o tempo, esse tempo
A. cada ano que por ti passa
R.elembra que são os momentos
C.om a sua vivência plena que
I.dónea e inesquecível o fazem
A.pelando assim à sua continuidade.
V.ives assim no "aqui e agora"
I.ntensamente quanto te permites
A.braçando os teus compromissos
N.uma entrega emocional
A.conchegante e auspiciosa.
A.inda que tudo seja alucinante
L.ímpida será a tua viagem
V.alendo cada um dos passos que dás
E.ntrelaçados de forma expressiva com
S.inceros e genuínos sorrisos!
(Aníbal Panza-08.10.2025)
#ANA TERESA
Talvez o fazermos anos
Tenha o seu quê de importante.
Talvez porque assim somamos
Tudo o que é desafiante!
É por isso que aqui estamos,
Entrelaçando momentos.
É por isso que lutamos,
Entrecruzando sentimentos.
Assim se constrói a história,
Adicionando factos à incerteza.
Assim se nutre a memória,
Ano após ano, Ana Teresa!
(Aníbal Panza-10.08.2025)
#MANUELABALINHA
M.ais um ano hoje se inicia
A.manhãs trazendo consigo
N.ada sabendo sobre eles
U.m após outro avançaremos
E.ncontrando em cada um
L.uz, escuridão, certezas e incertezas
A.lavancando assim a nossa vida.
B.atalhadora assim te conheci
A.tingindo inúmeros objectivos
L.ivre de ideias preconcebidas
I.mpressionante é o teu percurso
N.inguém deixando para trás!
H.oje é o dia do teu aniversário
A.miga Manuela Balinha, parabéns!
(Aníbal Panza-08.08.2025)
#Respirar
Sei que, nas correntes águas,
Vai passando a vida
Sem esperar por mim.
Contudo estou aqui,
Na imprevisibilidade dos dias.
Da nascente à foz,
Todo um percurso se apresenta
À minha frente,
Ora turvo como as cinzas
Ora cristalino na transparência da vida.
E respiro o ar envolvente,
Já que esse ato é fundamental
Para acompanhar o respirar
De quem comigo está presente,
Num cenário sem igual.
(Aníbal Panza-23.07.2025)
#a ponte
Sinuosa
Mas não silenciosamente
Corre a água no rio
Deixando no ar
O som de um cântico
Alternado a todo o instante
Entre o respirar de uma pausa
E um murmúrio aligeirado
Entrecortado pela vivacidade
Dos seus rápidos e cascatas
Maravilhado
Pela cor e pureza ambiental
Inalo profunda e ritmadamente
Os aromas presentes na envolvente
Enquanto contemplo a ponte
Que na sua ligeira oscilação aérea
Num aproximar arrojado
Faz a ligação das duas margens
Sobre um precipício abismal
Que me diz: "há sempre o outro lado!"
(Aníbal Panza-23.06.2025)
#viagem
Descalço,
Vou caminhando
Pé ante Pé
Pela aspereza da areia
Sentindo o seu massajar
A cada passo dado
Quão agradável é
A livre interacção
Com uma natureza pura e viva
Pois nada iguala a calma
Que se instala e expande
Em mim e à minha companhia
Límpida
A água corrente
Desbravando vai
O emaranhado da mente
Levando com ela a pressão
Que sobre alma e coração recai
Luminosa, assim é
A vegetação verde e refrescante
Onde renasce a esperança
De continuar uma viagem
Aqui e ali algo sofrida
Mas vivida, sentida e apaixonante!
(Aníbal Panza-21.06.2025)
# O Caminho
Dia Internacional do Enfermeiro
Nas nossas costas,
Um passado!
O tempo de quem lutou,
Deixando marcas no caminho.
Esse é o caminho
Que um Enfermeiro
fez... caminhando!
Aos nossos pés,
O presente!
O momento em que se sentem
As dores no corpo... ao caminhar!
Nesse caminho
Que um Enfermeiro
faz... caminhando!
À nossa frente,
O futuro!
O tempo e o momento que serão
A luz que dará claridade... ao caminho!
Desse caminho
Que um Enfermeiro
fará... caminhando!
(Aníbal Panza-12.05.2025)
#Sentir
Abril...
Mês de transição,
Entre um Março Marçagão,
E um Maio florido!
Olho para ti,
Sereno e confiante,
Porque o caminho percorrido
Confirma
Que "ser" todos somos,
Que "estar" todos estamos,
Mas "fazer"....
Isso fica dependente
Da força,
Da vontade,
Do conhecimento!
E com isto,
Enquanto há discernimento,
Deixo aqui
Todo o meu sentimento!
(Aníbal Panza-06.04.2025)
#não
"Não"! Essa palavra...
Invariável ou circunstâncial?
Contudo, excessivamente flexionada
Pela intensidade, pelo modo e pelo lugar!
"Não"! Essa palavra...
Advérbio de negação
Que modifica o que nem se vislumbra
Porque "não" é, invariávelmente, "não"!
"Não"! Essa palavra...
Onde termina sem qualquer compaixão
Um sorridente "Olá vizinho, tudo bem?"
E, do pai Abílio, uma particular tradição!
"Não"! Essa palavra...
Com uma dimensão irreversível
E, se questionado, dir-te-ia...assim não!
Mas foi essa a tua última vontade, Miguel!
(Aníbal Panza-30.03.2025)
#a sequência dos anos
No aniversário de cada um
Ouvimos com frequência
Fez mais um ou menos um
De acordo com a preferência
Ora os números em sequência
Acompanham-nos na vida
Ordenados numa constância
Sempre crescente na subida
Assim se caminha em frente
Sem sequência oscilante
Ou qualquer dúvida inaudita
A idade, essa nunca decresce
Esteja eu triste ou contente
Porque a sequência nunca será infinita!
(Aníbal Panza-07.03.2025)
#6 Março
Hoje assim me vejo e revejo
Nas costas, um passado
Carregado de memórias
Um aprendizado com histórias
Pensado, repensado e rascunhado
Com gracejo, desejo e lacrimejo
Aos meus pés um tal presente
Onde há obstáculos a transpor
Sempre tão desafiantes
Exigindo passadas confiantes
Sem ficar parado num torpor
A olhar para o sentido da corrente
Ao longe está a linha do horizonte
Onde não falta o pôr do sol
Que marca o fim de cada dia
Sempre com alguma alegoria
Porque a nossa vida é, qual aerossol,
Dispersível, finita, mas apaixonante!
(Aníbal Panza-06.03.2025)
#Ai vida!
Ai vida!
Nas tuas cores
Que passadas eu vou dando
Umas vezes confiante
Outras vezes tropeçando
Ai vida!
É nesse instante
Que mais eu vou aprendendo!
Ai vida!
Segue comigo
Nesta incógnita caminhada
Sem reprimir meus desejos
Em cada passada dada
Ai vida!
Em mim terás um amigo
Pois de ti
Não hei de querer mais nada!
(Aníbal Panza-10.01.2025)
#Dia de Reis
Fui Rei de coisa nenhuma
Num reino de imperfeição
Onde até a húmida caruma
Me fez rebolar no chão
Levantei-me e não vacilo
Pois consciente do aviso
Desse caminho intranquilo
Suporto o inevitável prejuízo
Há quem diga bem convicto
Que o Reinado não tem fim
Sorrio pois não acredito
Que alguém seja eterno assim!
(Aníbal Panza-05.01.2025)
#Mãos
Nas mãos sempre se deposita
Com a suavidade do toque
A confiança na doçura
Que é naturalmente a nossa
E na união dos seus dedos
Começa aí a partilha
De tudo o que é recíproco
Nesse encontro ocasional
E antes que o calor adultere
A textura do que as cores
Airosamente protegem
Deixo nas mãos afinal
A escolha dos sabores
Que o teu palato prefere
(Aníbal Panza-04.01.2025)
#2024/2025
Muito rapidamente se vão
Os anos que por nós passam
Mas ficam no coração
Os momentos que nos marcam
Dia a dia se constrói um ano
No conforto presente das palavras
Com olhares meigos, sem engano
E inquestionáveis vontades partilhadas
E de um amor assim puro e sincero
Tão desprovido de segundos interesses
Apenas na ausência se sente o desespero
Potenciador de alguns stresses
Que nunca nos falte a saúde
Nem aos nossos
Para manter toda esta irrequietude
Porque o amor, esse já é nosso!
(Aníbal Panza-31.12.2024)
#Coração
Não há noites escuras nem frias
Sempre que a luminosidade
Das tuas mãos delicadas
Esboça suavemente com os dedos
A silhueta de um coração!
Nele, a minha alma tranquiliza
Numa demora que conforta
Enquanto sem parar
Circula o rubro sangue
Que dá vida a uma saudável paixão!
(Aníbal Panza-26.12.2024)
#Natal
Todo o tempo deve ser
De partilha e gratidão
E que o encanto do momento
Mais que um singelo encontro
Seja de saudável reflexão
Em cada mão um produto
Vestido de Pai Natal
São o símbolo de uma época
Onde na paz de um ventre
Se originou o Natal
Que sempre perdure no tempo
O renascer de Jesus
Que ao mostrar-nos o Caminho
Nos faça felizes sabendo
Que no fim... existe a Cruz!
(Aníbal Panza-25.12.2024)
#FelizNatal 2024
A nossa vida é assim mesmo
Vivemos como podemos
Vivemos como sabemos
Numa amizade sem protagonismo
A cada ano que por nós passa
Há bons momentos a reter
Há momentos pra esquecer
E outros que cada um ultrapassa
Assim chegamos no final
A um encontro onde o nível
É uma história imperdível
Digna de um conto de Natal!
E quando assim é...
Para todos um FELIZ NATAL! 🎄🎄🎄
(Aníbal Panza-24.12.2024)
#advento#
Na passadeira vermelha
Olho em frente na certeza
Que é tamanha a beleza
Que no meu coração se espelha
Sobre mim os conhecidos guarda chuvas
Constância de um projecto
Que dão imagem de um tecto
Com ideias saudáveis e apelativas
Contudo, não podem faltar rotundas
Nas voltas que a vida dá
Será que o amanhã me trará
Momentos sem barafundas?
(Aníbal Panza-23.12.2024)
#Metades
Quando te recebi
Apresentaste-te como a metade
Foi aí nesse instante
Que te acolhi por inteiro.
Agora,
Olho para ti
E não sinto essa fracção
Porque o importante é a entrega
Que nos envolve o coração
Sem dúvidas existenciais.
Abstraído do assunto
Que é o todo e a fracção
Concluo na refrega
Que todos recebemos mais
Quando damos mais!
(Aníbal Panza-15.10.2024)
#aminhaluz
Serenos abrem-se os olhos
Nas penumbras do viver
Do que vemos
E de imediato sentimos
É com isso que aprendemos
Do escuro se fez o dia
Da dor se fez a alegria
E o que temos
Não é mais que o alimento
Que nos diz, a vida é discernimento
E assim prossigo o meu rumo
Tendo por companhia
Alguns amigos serenos
Que vão seguindo a sua cruz
Mas são de todo a minha luz!
(Aníbal Panza-11.11.2024)
#olhares
Brilha o sol no horizonte
Com um brilhar surpreendente
Mas muito mais brilham teus olhos
De um modo contundente
E sem florear eu sinto
Nesse teu olhar faminto
Que a vida passa num sopro
Qualquer que seja o labirinto
Antes que tudo passe
Ou que o olhar se perca
No infinito, de uma qualquer solidão
Deixa que meu corpo te enlace
Numa envolvência recíproca
Sem temores desta nossa imperfeição!
(Aníbal Panza-03.11.2024)
#diadopoeta2024
Em ti vejo um poema
Ainda que seja breve
Numa sentida poesia
A tua pessoa descreve
E são simples as palavras
Nas frases em construção
Onde nascem Primaveras
Que saltam na tua mão
Perfeita és a meu ver
Na frescura desse olhar
Sempre que para mim falas
E no sorriso há um saber
Conjugar o verbo amar
Mais luminoso que estrelas.
(Aníbal Panza-20.10.2024)
#gaivota
Serena mas atenta assim te vejo
Sobre esse manto verde a teus pés
Será que procuras aí o teu sustento
Ou aguardas a chegada das marés
Sei que a tua vida não é fácil
Naquele levantar voo a todo o tempo
Mas tu és decididamente ágil
E nos vestígios deixas cair o lamento
Quando no teu insistente gritar
De um modo algo aflitivo
Me ocorre aquela ideia idiota
Esqueço que estás a comunicar
Num discurso quiçá repetitivo
Dizendo que gostas de ser gaivota!
(Aníbal Panza-11.10.2024)
#MVA34
"M"
MAR.camos a vida com o tempo
CI.entes de que nada é por acaso...
A.té mesmo os contratempos
que vão tentando alge.MAR
o tempo na sua cadên.CIA!
"V"
VI.ver plenamente é o fim em si
A.inda que o caminhar não seja fácil...
NA.da te impedirá de tentar
dar as passadas que te ante.VI
e no sonho chegar a uma cab.ANA!
"A"
AL.go me diz que o almejado futuro
V.alerá pelo que no dia a dia for feito
ES.sencial é afastar o preconceito
pois para chegar a um fin.AL
haverá inevitáveis entra.VES!
(Aníbal Panza-08.10.2024)
#viverostempos
Os tempos estão nublados
E há alertas do IPMA
Mas porque ficamos calados
Perante dinâmica que é péssima?
O certo, é que em mim desperta
A imensa e simples vontade
De estar com a pessoa certa
Que da missa saiba a totalidade
Será que sou um apóstolo
De incógnita doutrina
Que me escapa fugazmente?
Como não sou malévolo
Nem tenho mente bailarina
Esqueçam! Vou vivendo intensamente!
(Aníbal Panza-05.10.2024)
#atéjá
Foi tão breve o nosso encontro
Como sempre o achamos
Breve
Tão breve
Mesmo quando dura horas
De ti levo comigo
Tudo o que juntos partilhamos
A tranquilidade do momento
Refletida no olhar
A ternura de um afeto
Na palavra murmurada
A gratidão de uma vida
Onde amar faz sentido
Prometo que voltarei
Num quando for oportuno
Quem sabe se aí o tempo
Tão breve
Breve
Como sempre o achamos
Nos enlace finalmente
Na eternidade de um abraço
(Aníbal Panza-29.09.2024)
#QuimCorreia
Faz tempo que nos conhecemos
Quais laboriosas aranhas
Nas teias que construímos
Em condições tão estranhas
Mas fomos evoluindo
E connosco a própria idade
À vida fomos sorrindo
Com muita proatividade
Chegamos aqui com cicatrizes
Trazendo saudades à boleia
Porque entre companheiros felizes
Contamos com o amigo Joaquim Correia !
(Aníbal Panza-27.09.2024)
#imagem
Com uma simples mão
Seguro um mundo imenso
Esse mundo que tu és
O mundo que tenho em ti
E suporto sem temores
O brilho que tu emanas
Desse teu corpo espraiado
Na palma da minha mão
Ainda que alguns olhares
Mentalmente perturbados
Se incomodem com a imagem ...
Eu sigo a minha viagem!
(Aníbal Panza-22.09.2024)
#Últimodia
Numa manhã de neblina
Apoderou-se de mim a nostalgia
Tanto mais que a melanina
Sentiu aí o fim de uma utopia
Nada será igual até ao próximo Junho
E num Outono, Inverno e Primavera
Entre eles passará um testemunho
Que trará a nova estação que se espera
Até lá, sei que a vida continua
Enquanto o coração bater com ousadia
Ainda que a mente seja por vezes ingénua
Saboreio deste Verão o seu último dia.
(Aníbal Panza-21.09.2024)
#espinhosvsflor
Ainda que os espinhos
Te rodeiem minha flor
Haverá sempre um momento
Destinado a uma colheita
E tu serás sempre
Mesmo que na lembrança
A corajosa flor
Que consentidamente colhi
Com todo o discernimento.
Dos espinhos...
Perenes serão as suas marcas
E da momentânea dor
Por eles provocados
Ficará o sabor
Pelo fruto daí colhido
Mesmo que alguém diga
Que a colheita
Foi uma fonte de pecados!
(Aníbal Panza-01.09.2024)
#tempo
Não sei
se o tempo se perde
Ou simplesmente nos foge
Se se perde não se encontra
Se nos foge...
será nosso de verdade?
Correr,
contra o tempo também
Não sei se é coisa boa
Quando a corrida é à toa
Ele voa, voa, voa,
fica sempre mais além
Para quê
perder o tempo
Ou deixar que ele nos fuja?
Porquê
correr de forma precipitada
Se do tempo não esperas nada?
Assim sendo vou vivendo
o tempo que ao dispor tenho
E na melhor das companhias
com tempo
Há páginas que vou escrevendo
No amor
Com que me alento.
(Aníbal Panza-25.08.2024)
#agosto
Não há mês no calendário
Que não tenha uma festa
Para uns é um fadário
A outros nada os molesta
Se essa é a sequência
Na vida de cada um
Seria uma negligência
Não gozar tempo algum
Neste festivo mês de Agosto
E contigo à beira mar
Deixo um sorriso no rosto
E conjugo o verbo amar.
(Aníbal Panza-21.08.2024)
#saúde
Siga a festa
Sigamos todos na Romaria
Da Senhora D'Agonia
Enquanto a prole
Desfilando se contagia
Eu paro no descanso que me resta
E no puro sangue
Da ribeira de Viana do Castelo
Brindo ao sossego
Que me invade
Refrescando corpo e alma
Na espera de algo que me empolgue
Muita saúde amigos
São os desejos inegáveis
Que deixo para todos vós
E suspirando vos digo
Que o tempo aqui consumido
Nos pés não faça nós cegos!
(Aníbal Panza-19.08.2024)
#Panza's na Romaria
É tempo de desfiles na rua
Onde a etnografia se entrelaça
Nos usos e costumes presentes
Expostos pelos intervenientes
Numa cultura que é naturalmente sua
Há uma diversidade interessante
Por vezes sonoramente confusa
Em barracas, pavilhões e diversões
Mas que atraem multidões
Pois comer e divertir é globalizante
Com esta visão das coisas afinal
Não faço julgamentos quixotescos
E numa espécie de relativismo cultural
Fico-me por aqui numa republicana praça
A ver com toda a calma quem passa!
(Aníbal Panza-18.08.2024)
#somostodosromaria
Chegados somos ao mês de Agosto
E Viana do Castelo fica diferente
Há Chieira espelhada no rosto
De amigos e de anónima gente
São desfiles, revistas, festivais, arraiais
Concertos, cortejos, diversões, procissões
Num pacto em que as classes sociais
Se libertam com múltiplas expressões
Caos na restauração e no trânsito
Ruído, dores de cabeça noite e dia
Estão implícitos e irmanados no conceito
Da popular Senhora d'Agonia
Num vistoso e colorido fantasiar
Romeiro sou na companhia da "Maria"
Venham daí tudo isto vivenciar
Afinal somos todos Romaria!
(Aníbal Panza-13.08.2024)
#MÉRITO
Muitas voltas dá o mundo
Contando uma por dia
Se fosse um poço sem fundo
Nunca ao fim se chegaria
Nessas voltas, tudo pode acontecer
Com resultados diversos
Mas é a essência do ser
Que anula os rumos perversos
Certo é que os anos passam
Indiferentes aos seres
Enquanto tudo acontece
Vamos retendo os que interessam
E na recolha dos saberes
Dar mérito a quem merece!
(Aníbal Panza-11.08.2024)
#ANATERESA
Nas infraestruturas da vida
Tudo se vai construindo
Numa matemática atrevida
Onde quem faz anos vai seguindo
Sabemos que não é mentira
Há engenharia em tudo o que há
Aqui só a incerteza conspira
De se a seguir a um ano outro haverá
Procurar na base de toda a teoria
Uma vida segura e com qualidade
Defensora do ambiente e natureza
Será esse o processo dia a dia
Que conferirá maturidade
A cada um dos teus aniversários Ana Teresa!
(Aníbal Panza-10.08.2024)
#MANUELABALINHA
M.omentos sempre constroem
A.s nossas histórias de vida
N.um desafio constante
U.ns, mais marcantes que outros
E.nvolvendo a cada instante
L.utas contra um tempo
A.ngustiante para tanta gente
B.riosa no seu desempenho
A.poiada pelo conhecimento detido
L.iberta de velhos preconceitos
I.nspiradora para todos nós
N.ão deixou ficar ninguém indiferente!
H.oje é o dia do teu aniversário
A.miga Manuela Balinha, parabéns!
(Aníbal Panza-08.08.2024)
#cuidado
Tudo tem o tempo
Que a seu tempo acontece
E tudo o que aparece
Aparece como é!
É!
É isso!
Que até os bichos
Metidos no aquário
Decidiram num invulgar plenário
Atacar o viajante!
Sendo assim
Tenham cuidado
Não vá o diabo tecê-las
Seja aqui
Ou num outro qualquer lado!
(Aníbal Panza-04.08.2024)
#ondeestou
Fui à procura de um doce
Para os desejos matar
Eis que a aragem me trouxe
Um cheiro a pairar no ar
Vinda de uma barraquinha
Mesmo ao lado da igreja
Aquela fartura quentinha
É o que mais se deseja
Atendido fui com pressa
Pelo eficiente empregado
Mas as farturas da travessa
Pareciam ter-se evaporado
Voltar aqui é o mais certo
Já que muito grato sou
A quem está nos bastidores
E meu amigo Gilberto
Sabes bem onde estou...
...Perre, Paris e Londres!
(Aníbal Panza-03.08.2024)
#...há arredores
Metendo os pés ao caminho
Com as férias na bagagem
Constatando vou de mansinho
Mil segredos na paisagem
Viajo com determinação
Por curvas e contra curvas
E no brilho da iluminação
Reflito em algumas peripécias
O meu roteiro é composto
Por locais encantadores
Não só em grandes cidades
Mas também nos arredores
Sente-se o pulsar de um povo
Nas suas crenças e valores
E em silêncio comprovo
Que as festas têm seguidores.
(Aníbal Panza-31.07.2024)
#cuidado
Andava eu entretido
A divagar no vivido
E não é que me aparece
Um ser que bem me conhece?
E com seu ar aguerrido
Queixou-se do alarido
Provocado pelos escritos
Que por mim são subscritos
Ah meu pequeno aprendiz
No sentir tudo se diz
Mas tens razão
Chega de tanta ilusão
Faço as malas, vou de férias
No expor de coisas sérias
Por isso vou ter cuidado
Com o que é por mim publicado.
(Aníbal Panza-30.07.2024)
#cavalheiro
Sei que seria agora capaz
De aferroar o meu par
Claro que estou a ser mordaz
Não estragaria por picada
A colmeia que é o meu lar
Talvez um frasco de mel
De um bom apicultor
Seja uma ideia incrível
E de um escritor vulgar
Faça de mim um escultor
Esculpiria assim sem medo
Os meus sonhos por inteiro
Sei que no desejo não me excedo
Pois mesmo que não pareça
Ainda sou cavalheiro.
(Aníbal Panza-29.07.2024)
#oliveira
Altaneira e enquadrada na paisagem
Encontro uma árvore conhecida
Que me transmite a mensagem
"Dou-te a sombra que esperavas
nas pausas da tua vida "
Tão belas as palavras que utiliza
Entoadas assim dessa maneira
Por quem sempre simboliza
A paz e a fertilidade
Como o faz a oliveira
E permito-me fazer uma analogia
Ao constatar no solo a minha sombra
Poder dizer a alguém no dia a dia
"Resguarda pausada em mim
esse teu olhar que me deslumbra"
(Aníbal Panza-28.07.2024)
#degraus
Eis-me aqui parado nos degraus
Mergulhado nos porquês
Dos dias bons e dias maus
Num repetido sobe e desce
Uma e outra e tanta vez!
Procurar o topo talvez seja
A fonte da minha energia
E lá chegado me reveja
Num ser super especial
Género herói da mitologia!
Quem não arrisca não petisca
Diz o ditado popular
E na liberdade da minha mente arisca
Sinto-me mesmo tipo Aquiles
No meu frágil calcanhar!
(Aníbal Panza-27.07.2024)
#centrodeespetáculos
Benvindos a este espaço caros leitores
É vosso o centro de espetáculos
Fique claro que todos seremos atores
Se quisermos ultrapassar os obstáculos
A luz da ribalta ilumina os protagonistas
Mas no centro desta encenação
Os espectadores serão os ilusionistas
Na sua aventureira e fecunda imaginação
Oriundo de pensamentos patéticos
Haverá um falso aplaudir que se extravasa
Para esses deixarei um final apoteótico
Porque a porta da rua é a serventia da casa
(Aníbal Panza-26.07.2024)
#pecados7
Ufa! Está um calor abrasador
Que me traz saudades da nortada
E quando não existe só um pecador
Resta apreciar uma iguaria gelada
Sem muito procurar encontramos
A arte de fazer bons gelados
E na panóplia de sabores conjugamos
Aqueles que mais apreciamos
Na frescura da flor que se constrói
O palato foi de verdade um peregrino
Onde na degustação se reconstrói
A clandestinidade do nosso destino.
(Aníbal Panza-25.07.2024)
#pecados6
Na palma da mão sinto o pecado
A pulsar com a visão de uma loucura
Não é um presente envenenado
É tão só aquele apelo da doçura
Pelo impressionar da aparência
Os olhos são os primeiros a comer
E a boca tem que ter mais paciência
Pois do registo fotográfico há um depender
Ao trincar descobrimos o cosmético
No sabor que então na boca se liberta
E concluímos naquele gosto sintético
Que quem muito escolhe pouco acerta!
(Aníbal Panza-24.07.2024)
#pecados5
Se para alguns a vida é cor de rosa
Para outros, é mil vezes entediante
Que ideia pertinente e caprichosa
Me foi assolar num restaurante
Certo é que factos são factos
E há em mim um pecar permanente
Que me proporciona argumentos
Motivadores de um rosto sorridente
Mas sim...nem tudo é cor de rosa
Nem tudo é assim tão entediante
Ouçam! A pizza estava maravilhosa!
Como tal, sumiu-se rapidamente!
(Aníbal Panza-23.07.2024)
#pecados4
Reconheço aqui a minha culpa
Por amiúde reincidir neste pecar
Mas de que adianta a desculpa
Se não resisto ao manjar?
Sinto-me chegado a um apeadeiro
De uma vida por demais agitadinha
Mas se isto é que é viver por inteiro
Não passa em vão a época da sardinha
Contadas na dose de cada um
Cruzar com alguma delas moída
É o risco de quem não fica em jejum
Neste estilo de vida destemido e atrevida!
(Aníbal Panza-22.07.2024)
#pecados3
Ainda que mal pareça
Há um pecado que arrisco
Pois não me sai da cabeça
Aquele arroz de marisco
O sabor e a cozedura
São coisas do outro mundo
E com uma larga varredura
Chego na panela ao seu fundo
Há quem de marisco não goste
Pelas cascas e cheiro residual
Há um procedimento inerente
Partir, comer e as mãos lavar no final.
(Aníbal Panza-21.07.2024)
#pecados2
Na simplicidade dos manjares
Os gostos não se discutem
Mas há ementas singulares
Que a cada ano se repetem
Os saborosos "jaquinzinhos"
Fazem parte do roteiro
Do pecar nos meus caminhos
Pois são degustados por inteiro
Com uma apelativa textura
Devorados são num trago
Sente-se a crocância da fritura
Na espinha, cabeça e rabo.
(Aníbal Panza-20.07.2024)
#pecados1
Dos sabores que a vida tem
Com muitos deles cruzamos
E por saberem tão bem
No pecar nos afoitamos
Acomodado na cadeira
Bem os pasteis polvilhei
E com uns golos de madeira
No doce me lambuzei
São boas as sensações
Invasoras dos sentidos
Que agitam os corações
Até aos mais inibidos.
(Aníbal Panza-19.07.2024)
#Viana
Fui longe para te ver
Viana minha princesa
Por isso fica a saber
Que amar-te é a certeza
Deixa que o meu joelho
Sobre ti se aconchegue
E que de ti um conselho
Até ao meu coração chegue
No fim o tempo dirá
Se é correto este rumo
Mas sei que sobrevirá
O sentir que aqui assumo.
(Aníbal Panza-14.07.2024)
#passos
Meto os meus pés a caminho
Na incerteza de um percurso
Mesmo com passo curtinho
Não me apago num discurso
Assim sigo atento e seguro
Na frágil passadeira azul
Que dá luz ao que é escuro
Desde o norte até ao sul
Quem me vê tudo imagina
Seja pro bem ou pro mal
Mas é meu o virar da esquina
Pois sou um ser vivo normal!
(Aníbal Panza-13.07.2024)
#fim
Foi uma vez...
Na sequência da vida
O princípio
E o meio
Numa sequência com fim
Mas nunca a dês por perdida
Porque viver
É mesmo assim!
Aprendizagem
Autoafirmação
Autoconfiança
Autoestima
Enfim ...
"Quem me livrará do corpo desta morte?"
Dirão alguns "está na Bíblia"...
...digo eu, é a sorte!
(Aníbal Panza-09.06.2024)
# meio
Era uma vez...
Um caminho que é o nosso
E a cada dia se percorre
Numa sequência incrível
E há o tempo
Que rápidamente transcorre
Enquanto enlaça e desenlaça a nossa vida
Nos contornos exteriores
De corpos plenos
Onde se ateiam chamas
Mas, na fusão
Da mente, alma e coração
Quando há dor...
... que não seja dor de Amor!
(Aníbal Panza-09.06.2024)
#princípio
Era uma vez...
Um mundo azul
Onde se nasce com ou sem vontade
Onde se aprende
A respirar e a procurar
Aquele amor que na verdade
Nos tira fora da caixa
E nos transporta e transforma
Em sonhos e sonhadores
Que viajando no tempo ...
Dos amassos, dos beijinhos e abraços
Sempre nas nuvens se entregam
Suspirando ao sabor das fantasias
E o mundo é sempre azul
Uma,outra....
...e a cada vez!
(Aníbal Panza-07.06.2024)
#olhos
Parei no passadiço sem temores
E aliviado de tantas agruras diárias
Sinto no local a vertigem dos amores
Aventurados livremente nas alturas
Ainda que neste abordar pela rama
Da incrível diversidade da natureza
Constato numa visão que me chama
A imagem de uma escultural beleza
Disformes e entorpecidos pelo tempo
Ficam atrás de mim arregalados olhos
Prontos a denegrir, desferir ou digerir
Ansiosos por infortúnio ou contratempo
Mas se misturarem alhos e bugalhos
Que importa se isso me faz sorrir!?
(Aníbal Panza-04.06.2024)
#arte
Entre símbolos
Expressões e representações
Há sempre um antes e um depois!
Depois...
É claro que depois há a vida
A inconsciente
A apreendida
A conscientemente vivida...
Nos acertos, nos erros
Nos encontros
Nos desencontros
Na oportunidade perdida
Ou quem sabe
No maior encanto
Que algum dia
Poderias ter encontrado em vida!
É a arte!
A arte que te mantém vivo
Aquela arte
Que não será por todos compreendida
Mas o importante
É a arte de quem a vive
Num universo de paixões
Nas crenças, sentimentos e emoções!
(Aníbal Panza-02.06.2024)
#poema da Maria
Pensavas tu Maria
Outra coisa de mim, que não fosse
Escrever-te uma qualquer poesia
Merecida como bem sabes
Apesar de algo tardia?
Deixa lá, mas não vás nessa
Aonde vão os teus trinta!
Mais a mais, porque és peixes
Ao anzol não escapas por rebeldia!
Respira mas frenética não te queixes e...
Indiferente às marés do dia a dia
Aprecia o sabor desta fatiazinha poética!
(Aníbal Panza-29.05.2024)
#Institucionalizado
Umas vezes vives num mar de solidão
Noutras deteriora-te a demência...
Uns filhos partem para ganhar o pão,
Outros denotam uma familiar divergência
De modo a institucionalizar a tua condição
Pois cuidar-te exige alguma competência
E sem depender de ti a livre escolha
Ainda bem que há alguém que te acolha.
O tempo, esse passa para toda a gente
E, ou porque já o eras ou então ficas
Um dia natural ou acidentalmente doente
Por causas conhecidas ou idiopáticas...
Levam-te a serviços de saúde de repente!
Atribuladas podem ser aí as práticas
Quando o mais emergente no estudo
É um tal chavão de "institucionalizado"
E se o que resta do viver é institucionalizar
Que assim seja, se o for com qualidade
Quer num contexto de doença a avançar
Ou num fim de vida independente da idade.
Importa cientificamente diagnosticar
Para agir sempre em conformidade...
Na distanásia o meu pensar não funciona
Apenas cuidar de quem viver ambiciona!
(Aníbal Panza-19.05.2024 )
#essa palavra ENFERMEIRO
Chegar, gostar, aprender
A olhar e ver
Qual planta a florir
Descobrir, sentir, tocar
E nas palavras, sons, silêncios
Ou invulgares movimentos
Perceber num esgar
A dor ...
E sem nunca desistir
Acompanhar ...
Da vontade do gerar
Ao nascer, crescer, viver
Prevenir, curar, reabilitar
Aliviar, suavizar, confortar
Ainda que o fim possa chegar
Com o morrer...
Espera-se esteja presente
Numa palavra
Um profissional por inteiro
Qual mealheiro
Onde se depositam saberes
Ser, estar, fazer...
É nessa palavra: ENFERMEIRO!
Que nela, por ela e com ela,
Acredita...
Viajo no teu corpo
Por inteiro!
(Aníbal Panza-12.05.2024)
#sonetodosnove
É um pouco estranho começar a falar dos números
Que os seres humanos nas suas abstracções
Para quantificar atos passados e ordenar os vindouros
Deles fizeram uma das primeiras invenções
O vazio passou a ser representado num invulgar zero
Definindo o ponto de partida de um percurso
Onde o custoso empenho árduo e sincero
Se iniciou na voluntária escolha de um curso
Depois é só contarmos: um, dois, três
Quatro, cinco, seis, sete, oito e finalmente
Aqui se completa um ciclo de crescimento com o nove
Onde validamos com a "prova dos nove fora" alguns porquês
Construíndo sem medo do "nada" um percurso gradualmente
Na esperança que de nove em nove... a vida se renove.
(Aníbal Panza-04.05.2024)
#flores
Vai-te Abril
Com teus defeitos
E acontecimentos perfeitos
Antes que fiques senil
Abre a mão nestes segundos restantes
Dá lugar aos aspirantes...
E com o fulgor de um raio
Que venha rápidamente Maio
Com a esperança apontada
A uma lenda entrosada
Naqueles que ainda ousam
Acreditar que o mundo
Será melhor qualquer dia
Na fantasia ou magia
De uns raminhos de flores!
(Aníbal Panza- 30 Abril 2024)
#ser livre pensar Abril
Nasceu legitimado em Portugal um dia
Em 1974, com rubros cravos de verdade
Nos canos das espingardas dos soldados
Um vinte e cinco de Abril que pretendia
Dar aos portugueses a florida liberdade
Hoje, já com umas décadas de vida
É um Deus nos acuda o saber
Que sem confissão vão sendo relatados
Casos de promiscuidade reconhecida
Daqueles que vão chegando ao poder
Revela a história tantas safadezas
Do humano compadrio e caciquismo
De um célere julgamento carenciados
Que nos trazem à memória as impurezas
Seja da democracia ou qualquer "ismo"
Nesse triste pântano é tão certo
Olhar para o futuro mais desalentados
Quando há um novo riquismo servil
E no murchar dos cravos ficará o deserto
Dos nossos sonhos por eles desbaratados
Se não pensarmos ou repensarmos Abril!
(Aníbal Panza2024)
#abelha
Está bem abelha!
Dirão alguns convencidos
Fiquem com essa ideia
E com quem vos der ouvidos...
Ai abelha!
Muitos não sabem
Quão importante és
E por isso talvez falem
Que o segredo da vida
Só depende das marés!
É abelha!
É triste que assim pensem
E vivam numa ilusão
Seria bom que compreendessem
O que é a polinização!
(Aníbal Panza-Abril.2024)
#eraumavez
Viro a página...
De um livro que se constrói
E a história inclusa
Tem o que se imagina
Mais aquilo que se tenta!
O tempo passa
A ideia mói...
Mas que importa
Se a gente na sua sina
Subtrai, divide, soma e multiplica
E no resultado fica
Aquilo que se aguenta!
Que assim seja até aos "em"
Por agora sente o sabor dos "enta"
Porque daqui para a frente
Como dirá sempre alguém...
"Ou vai, ou rebenta!"
(Aníbal Panza-28.Março.2024)
#cottas
Numa natural colheita
Há um "cottas" produzido
E o que nele se aproveita
Pelo tempo foi precedido
Assim se foi maturando
Em condições ambientais
E os processos aceitando
Para os resultados atuais
Chega entretanto o momento
Do "cottas" se transcender
Ao degustar os seus sabores
Nele ficando o sentimento
E a obrigação de agradecer
A quem está nos bastidores!
(Aníbal Panza-Março.2023)
#23/2024
Mais um ano que termina
Com outro colado à perna
Mais um momento de rima
Onde a palavra é eterna
Nela habitam sentimentos
Por vezes tão controversos
Importa são os momentos
Que às vezes descrevo em versos
E no rodar de uma vida
A minha e a daqueles que amo
Há uma força assaz destemida
Que diz que eu não me engano
Sendo assim está tudo dito
Entenda cada um o que quizer
Persisto a inovar no que acredito
Importa é ser, estar e saber...VIVER!
(Aníbal Panza- Dezembro.2023)
#FelizNatal
Há noites que são assim
Passadas bem em claro
Não são novidade pra mim
Com gratidão as preparo
E se a cada ano contado
Está presente a alegria
É porque tenho a meu lado
Uma excelente companhia
Reforça-se assim a amizade
Num ambiente de Natal
E o que queremos de verdade
É sermos felizes afinal.
(Aníbal Panza- Dezembro.2023)
#notaNatalícia
Enquanto o tempo voa
Acabo de rever serenamente
Todos os pedidos aqui chegados.
Sem falsa modéstia
A minha generosidade não é à toa
E sim,
Tenho para a toda a gente
De coisas boas a uns simples trocados
Que vão modelar a vossa angústia.
Pois que o vosso saco fique cheio
Já que com o meu eu me aperreio
Com tralhas que há a rodos...
Mas não faz mal
Porque nele há para todos
Desejos de um Feliz Natal!
(Aníbal Panza-Dezembro.2023)
#memórias
Uma vida que se faz
E num instante se vai
Um momento que assim fica
Num fim de tarde em Novembro
Podia ser tudo diferente
Igual ao comum de toda a gente
Mas não...
Nada tem que ser igual
Na nossa diversidade
Uns vão
Outros ficam
Contudo todos irão
E como sempre na história
Perdurará a memória!
Daqueles que nos estimam!
(Aníbal Panza-Novembro.2023)
#Nudez
Uma após outra
Deixas cair a tua roupa
Que vai revestindo o chão
Desnudas assim
A tua altiva natureza
Para mim
Tudo a seu tempo
Sem rancores
E sem pudores
No teu rosto apenas
Uma combinação de cores
Tantas vezes vista
Na intimidade
Em que se perdem os amores
E decido pé ante pé avançar
Com cumplices pisadas
Suave fica assim meu caminhar.
(Aníbal Panza-Novembro.2023)
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