No meu jardim, há flores assim:
Qual arco-íris da vida.
Com Cores que não descrimino,
Tão frágeis que são p’ra mim
Que trato com muito mimo.
Tal e qual como as mulheres
Que das minhas mãos se aproximam
Mulheres que sofrem as dores
Dores com o efeito de um íman.
Que alguma coisa escondida
Apesar de muito atento
Não venha tirar-lhes a vida
No antro do sofrimento!
No meu jardim também há
Ervas rascas, ásperas, daninhas.
De nada valem por lá
Nem p’ra ninhos de andorinhas.
O meu jardim é um momento
De encanto e sofrimento
O meu jardim é um lamento
Faça sol, chuva ou vento!
No meu jardim eu só queria
Ser feliz todos os dias.
Por ver que no seu espaço
Não entram coisas tão frias.
E de todas elas merecer
Um forte e quente abraço!
Um Blogue,como muitos outros. "Tudo o que somos incapazes de dar nos possui" (André Gide)
sábado, 12 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Para pensar…
Hitler tentou conquistar a Europa, o dinheiro está prestes a conseguir esse feito…
Portugal foi até ao norte de África para levar ideais e perdeu-se, mas não se livra da invasão de ideias vindas daqueles lados…
A luta é alegria, onde está a novidade se já há cerca de quarenta anos se cantava que quando o pão que se come sabe a merda…o que faz falta é animar a malta…
“…à rasca…” já o meu bisavô se viu e desejou para criar o meu avô que comeu o pão que o diabo amassou para criar o meu pai, que passou fome para me criar a mim que não consigo dar ao meu filho aquilo que eu gostaria de lhe poder dar para que os filhos dele não passem o que eu passei…sempre à “rasca”…começo a pensar que “rasca” é um estado de espírito…
Vou ali e já venho!
sexta-feira, 4 de março de 2011
A regressão
Reconheço que quando passei pelo antigo Liceu apesar da minha querida professora de Língua Portuguesa (que Deus a tenha em descanso) me tentar demonstrar o interesse da obra de Camões, a minha esquerdite revolucionária alinhada pelos marxismos –leninismos da altura não despertou em mim tal interesse.
Passou o tempo e a mente acalmou, em muitos dos casos porque a aprendizagem alcançada de que se não os podemos vencer então o melhor é juntar-nos a eles…para o melhor e para o pior.
Eis-me sentado num sofá e não é que o o baço daquele livro de capas encarnadas (não é o livro do meu glorioso SLB, do tempo do Vale e Azevedo) me saltou para vista, apelando-me:”Agarra-me, abre-me, deleita-te comigo, tenho saudades das tuas mãos!”
Então não é que os Lusíadas se atiraram a mim!
Carinhosamente (o livro custou dinheiro aos meus pais e a fartura naquele tempo não era nenhuma) lembrei-me que a ilha dos amores me poderia satisfazer depois de constatar a vil miséria dos canais televisivos…calmamente pensei e se fosse ao VIII! Dedo a dedo fui tocando uma página de cada vez até atingir o dito canto.
O quê? Não é que Camões me fala da amargura do dinheiro?
“Este rende munidas fortalezas:
Faz traidores e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz fazer vilezas;
E entrega capitães aos inimigos;
Este corrompe virginais purezas;
Sem temer de honra ou fama alguns perigos;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando e as consciências;
…
Este interpreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os reis…”
(Camões, os Lusíadas, cantoIII:98/99)
Alto! Para aí, murmurei baixinho!
Isto é o que se passa hoje! Norte de África, médio Oriente, petróleo, Eurocrise, Freeport, prostituição, tráfico de seres humanos, corte dos vencimentos, corrupção, medidas e desmedidas orçamentais e todo o perjúrio que o metal provoca….
Que Deus nas suas imensas formas, de Alá a Buda, Maomé e quem quiserem nos ajudem. Estão a ver quando o Luís Vaz escreveu isto, não estão? Estamos em 2011 e a porcaria continua na mesma.
Fiquem bem, vou passar o Carnaval a qualquer lado, talvez num T3 ali para os lados do Tejo, voltarei depois da moção do dia 10, da manif do dia 12 quem sabe apareça o D. Sebastião é que já estou farto de Mostrengos e de Velhos do Restelo…
Regredi! Que querem!
Divirtam-se comigo e como eu!
Passou o tempo e a mente acalmou, em muitos dos casos porque a aprendizagem alcançada de que se não os podemos vencer então o melhor é juntar-nos a eles…para o melhor e para o pior.
Eis-me sentado num sofá e não é que o o baço daquele livro de capas encarnadas (não é o livro do meu glorioso SLB, do tempo do Vale e Azevedo) me saltou para vista, apelando-me:”Agarra-me, abre-me, deleita-te comigo, tenho saudades das tuas mãos!”
Então não é que os Lusíadas se atiraram a mim!
Carinhosamente (o livro custou dinheiro aos meus pais e a fartura naquele tempo não era nenhuma) lembrei-me que a ilha dos amores me poderia satisfazer depois de constatar a vil miséria dos canais televisivos…calmamente pensei e se fosse ao VIII! Dedo a dedo fui tocando uma página de cada vez até atingir o dito canto.
O quê? Não é que Camões me fala da amargura do dinheiro?
“Este rende munidas fortalezas:
Faz traidores e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz fazer vilezas;
E entrega capitães aos inimigos;
Este corrompe virginais purezas;
Sem temer de honra ou fama alguns perigos;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando e as consciências;
…
Este interpreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os reis…”
(Camões, os Lusíadas, cantoIII:98/99)
Alto! Para aí, murmurei baixinho!
Isto é o que se passa hoje! Norte de África, médio Oriente, petróleo, Eurocrise, Freeport, prostituição, tráfico de seres humanos, corte dos vencimentos, corrupção, medidas e desmedidas orçamentais e todo o perjúrio que o metal provoca….
Que Deus nas suas imensas formas, de Alá a Buda, Maomé e quem quiserem nos ajudem. Estão a ver quando o Luís Vaz escreveu isto, não estão? Estamos em 2011 e a porcaria continua na mesma.
Fiquem bem, vou passar o Carnaval a qualquer lado, talvez num T3 ali para os lados do Tejo, voltarei depois da moção do dia 10, da manif do dia 12 quem sabe apareça o D. Sebastião é que já estou farto de Mostrengos e de Velhos do Restelo…
Regredi! Que querem!
Divirtam-se comigo e como eu!
quarta-feira, 2 de março de 2011
Um vaticínio…
Camões escreveu:
“De Formião, filósofo elegante
Vereis como Annibal escarnecia,
Quando das artes bélicas diante,
Dele com larga voz tratava e lia.
A disciplina militar prestante
Não se aprende, senhor, na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
Senão vendo, tratando e pelejando.
(Os Lusíadas, canto x:153/154)
Dedico este excerto aos embaixadores que se deslocaram a Berlim, dois pastéis de nata embarcados ali para os lados de Belém, espero que quando chegarem ao fim da peleja não me venham dizer: “…ora bolas (de Berlim).
Contudo, não sei se os ditos leram Camões com atenção, espero bem que sim, já que não os vejo como Annibal montados em elefantes trombudos… (ai esta geração que funciona a pilhas eléctricas).
Não me canso de dizer que a história se repete. Será que a Angelazinha de Berlim vai tramar os formosos e tenros pasteis da Portugália?
É que o Annibal tramou-se por causa de uma mulher…triste sina a nossa e a minha!
“De Formião, filósofo elegante
Vereis como Annibal escarnecia,
Quando das artes bélicas diante,
Dele com larga voz tratava e lia.
A disciplina militar prestante
Não se aprende, senhor, na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
Senão vendo, tratando e pelejando.
(Os Lusíadas, canto x:153/154)
Dedico este excerto aos embaixadores que se deslocaram a Berlim, dois pastéis de nata embarcados ali para os lados de Belém, espero que quando chegarem ao fim da peleja não me venham dizer: “…ora bolas (de Berlim).
Contudo, não sei se os ditos leram Camões com atenção, espero bem que sim, já que não os vejo como Annibal montados em elefantes trombudos… (ai esta geração que funciona a pilhas eléctricas).
Não me canso de dizer que a história se repete. Será que a Angelazinha de Berlim vai tramar os formosos e tenros pasteis da Portugália?
É que o Annibal tramou-se por causa de uma mulher…triste sina a nossa e a minha!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
E com esta me vou…
E com esta me vou…
Farta-se uma pessoa de semear o Amor por tudo quanto é passível de ser semeado, espera desespera e não vê frutos, alguma coisa está errada…
“Todo o Amor semeado, cedo ou tarde florirá” (Raul Folerau)
…esperemos que assim seja!
Farta-se uma pessoa de semear o Amor por tudo quanto é passível de ser semeado, espera desespera e não vê frutos, alguma coisa está errada…
“Todo o Amor semeado, cedo ou tarde florirá” (Raul Folerau)
…esperemos que assim seja!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O que vejo…
Do alto da minha cave
Vejo uma triste alegria.
Vejo um imposto que sobe
Mais um corte que arrepia.
Vejo um desgoverno rosado
Num governo que legítimo foi parido
Mas ferido de minoria,
Que ao durar asfixia.
Vejo uma oposição radiante
Pelo enterro constante,
De mudanças adiadas
Em campanhas prometidas.
Vejo inaugurações,
Autoestradas e TGV’s,
Pontes e aeroportos
Que se vão anunciando
Semana após semana,
Quem sabe se atolando
O povo numa barragem.
É Tua, a imagem que prevejo
É o lodo que antevejo.
Vejo Eurocratas famosos
Prontos para ajudar
A salvar-nos de mercados
Por eles, sabiamente criados,
Gerando endividados
Com juros de encantar.
É a água que vai juntando.
E os ideais afogando,
Perguntamos todos agora:
“Isto dura até quando?”
Que se passa que não vejo!
Sou cego, surdo e mudo?
Das virtudes estou despido?
Quem me dera,
Não ver o que agora vejo
Mas ver tudo o que desejo.
Vejo uma triste alegria.
Vejo um imposto que sobe
Mais um corte que arrepia.
Vejo um desgoverno rosado
Num governo que legítimo foi parido
Mas ferido de minoria,
Que ao durar asfixia.
Vejo uma oposição radiante
Pelo enterro constante,
De mudanças adiadas
Em campanhas prometidas.
Vejo inaugurações,
Autoestradas e TGV’s,
Pontes e aeroportos
Que se vão anunciando
Semana após semana,
Quem sabe se atolando
O povo numa barragem.
É Tua, a imagem que prevejo
É o lodo que antevejo.
Vejo Eurocratas famosos
Prontos para ajudar
A salvar-nos de mercados
Por eles, sabiamente criados,
Gerando endividados
Com juros de encantar.
É a água que vai juntando.
E os ideais afogando,
Perguntamos todos agora:
“Isto dura até quando?”
Que se passa que não vejo!
Sou cego, surdo e mudo?
Das virtudes estou despido?
Quem me dera,
Não ver o que agora vejo
Mas ver tudo o que desejo.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
São...os sonhos.
São
Ou foram?
Não, ainda São!
Desejos ardentes mas prudentes.
Porque seres vivos somos
E dependemos de um coração sentido.
Que bate,bate...e tantas vezes palpita
Quando a razão se ilude com um desejo imprudente.
Sim, são os neurónios efervescentes
que se esfregam de contentes
quando nas suas sinapses o desejo se excita!
Em mim, ninguem acredita.
Nem o tocar, nem o ouvir
Nem o olhar ou o cheirar
e falta-me o paladar.
Juro... que isso me mete medo.
O perder os meus sentidos
e ver que afanosa se chega
a todos a solidão.
Que frenética, vai empurrando o desejo
para um ponto sem retorno,
qual poço fundo e medonho.
De onde só saí a gente
que se agarra num sonho!
São,
São os sonhos que nos trazem
o desejo e a imagem
mesmo que seja miragem
pra junto do coração
iluminando o caminho
que afasta pro deserto
a enfadonha solidão!
Ou foram?
Não, ainda São!
Desejos ardentes mas prudentes.
Porque seres vivos somos
E dependemos de um coração sentido.
Que bate,bate...e tantas vezes palpita
Quando a razão se ilude com um desejo imprudente.
Sim, são os neurónios efervescentes
que se esfregam de contentes
quando nas suas sinapses o desejo se excita!
Em mim, ninguem acredita.
Nem o tocar, nem o ouvir
Nem o olhar ou o cheirar
e falta-me o paladar.
Juro... que isso me mete medo.
O perder os meus sentidos
e ver que afanosa se chega
a todos a solidão.
Que frenética, vai empurrando o desejo
para um ponto sem retorno,
qual poço fundo e medonho.
De onde só saí a gente
que se agarra num sonho!
São,
São os sonhos que nos trazem
o desejo e a imagem
mesmo que seja miragem
pra junto do coração
iluminando o caminho
que afasta pro deserto
a enfadonha solidão!
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