domingo, 3 de setembro de 2017

#poemanegro

Hoje à noite, noite fria! 
Senti que quase perdia
Os olhos que me iluminam
Mas no faíscar arrepiam.

Hoje à noite, noite escura!
Senti que nada perdura.
Tudo em mim se apagou
E em puro breu se transformou.

Hoje à noite, noite negra!
Senti falta de exceção à regra.
Fui obrigado a parar
Por coisa alguma enxergar.

Hoje à noite, noite fria, escura e negra!
Senti que até a palavra integra,
Venenos tão concentrados
No mais frio, escuro e negro dos corpos encriptados.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 2 de setembro de 2017

#oqueéoamor

O que é o amor?
Pergunta direta que agora fazes.
Amor! 
Sentimento com sentido
Ou um sentir consentido?
Um pecado inimputável
Ou momento incontornável?
Uma rima de um poema
Ou um poema sem tema?
Uma dor que desconsola
Ou o consolo da dor
Na demora da tormenta
Que só quem ama aguenta?
Amor!
Vamos agora supor
Que o desaparecido apareça
Que o corpo reencarne
Que a noite não aconteça
Ou que as estrelas incandescentes
Caiam nas lacunas mais sombrias.
Amor!
Deixa que eu chore
Mas não esperes que implore
O incomum sofrimento
No que nos é mais comum
O queixume, a revolta e o lamento.
Amor! 
O que é o amor?
Um sonho? Uma utopia?
Não!  O Amor é a revolta
É um grito de protesto
Contra a desfaçatez
Onde se ignora o dificil
Na história que é a mais fácil.
É...Amor é
O respeito e a compreensão
Mesmo da mais profunda ferida
É...amor é:
-A VIDA E SÓ ESTA E NESTA VIDA!


(Mariavaicomasoutras)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

#vidasemconjunto

A nossa vida é uma dança
Ou quem sabe um redemoinho
Começa tão de mansinho
Acaba num mar de lembranças.

Em círculos ou em voltinhas
Nunca a dança é em vão
Quando unidos pelo coração
Contornam as turbulências mesquinhas.

Os seres que por dentro estão ligados
Numa compreensão e partilha
Quando algum escorrega e cai.

São como átomos puros 
Que mesmo na sua diferença
Formam compostos seguros.


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

#másorteoupoucasorte

Acordei! É um novo dia!
Os ventos sopram de Norte
Trazem com eles a sorte
Ou quem sabe as agonias,
Que pairam quais borboletas
Nas soleiras das janelas
Envoltas em fantasias.

Neste quadro há o despertar
De uma princesa sem sorte
Nas traições da nobre corte
Que acabaram por levar
Num frio tunel em Paris
O corpo ao encontro da morte
Por apenas querer ser feliz.

Princesa do povo ou não
O coração de Diana
É o âmago que nos ensina
Que a maior desilusão
Não depende só de nós
Mas mais da incompreensão
Que priva e silencia a nossa voz.


(Mariavaicomasoutras)

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

#quandoalgonosescapa

Que adianta tentar prender
o que da mão nos escapa
Se isso nos faz sofrer
E a dor nos esfarrapa!

O que a memória retem
A mando do coração
É o retalho que mantém
O sopro da ilusão.

Deixemos ficar os dedos
Peganhentos pelo engodo
Dizendo adeus aos degredos
Porque a parte não é o todo.


(Mariavaicomasoutras)

sábado, 26 de agosto de 2017

#cardos

Levado assim pelo destino
Que me arrastou até ti
Dou largas à fantasia
No trilho que serpenteia
Por entre as dunas de areia.

Na tentação do teu bronze
Não consigo dar a volta
Já nem sequer vejo o mar
E sem tirar o olhar dali
Sinto que o teu corpo despi.

Entre curvas, contra curvas
Depressões e promontórios
Transpiro e fico ofegante
Num terreno assaz selvagem
Sinto um ar altamente triunfante.

Com os dedos, vou-te tocando ao de leve
Correspondendo ao desejo
De um abraço tão sentido,
Mas sem lugar a retardos
Porque não é permitido... abraçar assim os cardos!


(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

#fotografias

A arte de quem faz fotografia 
é esta que que agora vemos
Despertar as consciências
Das causas com que vivemos.

Sim, porque, por e com causas reais
Se constrói o diário imaginário 
Que nos faz decerto desiguais
E conduz ao inevitável fadário.

Tudo porque o humano ser
Na sua intelectualidade alimenta
Aquilo que julga conhecer
Da bonança que chegará após tormenta.

E num invulgar fratricídio
Transforma a vida em tourada
Onde se liquida a si próprio
Sem olhar para mais nada!

Deixa assim de tal forma apreensivo
O fotógrafo que documenta ao vivo 
Num instantâneo reflexivo
A arquitetura de um local facultativo!


(Mariavaicomasoutras)