quinta-feira, 3 de maio de 2018


#Maio#
Florido Maio que chegas
Sorrindo com tons de amarelo
Será que agora me negas
Que és o mês da mãe e Maria
Nas crenças que em ti carregas?
E que o teu primeiro de Maio,
Na sua carga emotiva com cariz libertador
Traz nas entranhas as marcas
De um criminoso massacre
Cometido em servis trabalhadores?
Maio... tão florido e aguerrido
Também transportas contigo
Nas turvas águas e atoleiros perigosos
Muitas chagas, quem sabe se  incuráveis
Do corpo dos esperançosos.
Maio, das maias de infestante beleza
No exotismo da arbustiva giesta
Atemorizadora dos demónios
Na cíclica idolatria das mentes
Sempre que o aroma lhes excita os seus neurónios
És assim um mês tremendo
No mistério, no odor, na cor, na dor.
De ti, nem ao de leve me abstraio
Serei se puder, teu frágil procurador
Meu poético mês de Maio!

(Mariavaicomasoutras)


#almagémea
Chegado a um precipício
Onde o ar quase nos falta
Há uma ideia que me assalta
Será a alma um benefício?
Ou quem sabe um malefício!
Agarrei-me ao corrimão
Dentro de mim um sobressalto
Conseguiu falar mais alto
Bloqueando-me a mão
E despertando-me a visão!
Nessa atitude tão expontânea
Vi no hoje um amanhã bem diferente
Sentindo que dentro da gente
Há sempre quem nos defenda!
Essa é de verdade a nossa alma gêmea.

(Mariavaicomasoutras)








sábado, 28 de abril de 2018


#vidaslibertinas
Pois é!
Num pote estamos metidos.
Uns FOGEM-nos quando querem
Outros FOGEM-nos sempre que podem
No fim o nosso sofrer
É que sempre somos FUGIDOS!
Deve ser por sermos santos
E do cheiro das pinguinhas
Já nem lembrava ao demónio
Dizer tantas asneirinhas!
Vamos mas é divertir-nos
Nos locais mais populares
Disfrutar e lambuzar
Pois Viver é amar, mas a valer...
Só dá para quem entender!!!
Aquelas queridas Tulipas
que hoje se fixaram em mim
Disseram-me para acreditar
Que podem ser nosso jardim!
Acabe-se o sofrimento
Acabe-se nosso lamento
Acreditemos por instantes
Que vivemos para amar 
Mas com algum sofrimento!!!
(Mariavaicomasoutras)




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#brumasdememoria
Houve um povo que sempre se fez ao mar
Novas rotas e caminhos foi traçando e descobrindo
Índia, Brasil, Timor e África não nossa
Reis, imperadores e um decadente estado novo
Poder, colónias, guerra e esforçados soldados
Tudo heróis de um faminto e nobre povo.
Mas, a cada primavera tudo muda
Capitães, chaimites, papoilas, cravos
Ninguém fica parado depois de um adeus Partidos à esquerda, à direita em democracia 
Numa alegre cacofonia de uma alma minha
Com economia que se diz contraída e às avessas.
Imortal é a chama de um povo que em tudo embarca
Chama esfaqueada, esventrada, geringonçada
De uma saudosa pátria de igregios avós
E marchas de maiorias silenciosas e silenciadas
Onde haverá ainda e sempre um mês de Abril
Com um antes e um após de histórias mal contadas.
Uma valente nação com promessas e mais promessas
Suspeitas, indícios, testas de ferro, toupeiras
Onde os afetos de um fado conduzem ao fado dos afetos.
Ficam aqui e agora como armas as palavras que se escrevem
Enaltecendo uma liberdade de expressão
Fazendo com que as brumas da memória se conservem.
(Mariavaicomasoutras)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

#0


Falar da vida! 
É! Cada um fala de si e de cada qual. 
Vida! Vida sonhada, vida perdida, vida sofrida... 
Mas não arranjo outra igual!
(Mariavaicomasoutras)

domingo, 22 de abril de 2018


#umaformadevida
Por vezes queria ser gato
Dizem que tem sete vidas
Algumas cheias de feridas
Por deixar fugir o rato.

Enquanto ronrona e mia
sempre à espera de algo bom
Esqueçe que o seu dom
É ter uma vida boémia.

Mas penso uma e outra vez
Para quê aquelas vidas
Tantos dias repetidas
Se num ano ele faz três.

Prefiro ser o que sou
Do Gatinhal originário
Filho do gatas extraordinário
Contos que o pai me deixou.

Ai vida tonta que é a minha
Parida, sentida, dorida mas exclusiva
Emotiva, erosiva e reflexiva
Sempre com algum probleminha.

(Mariavaicomasoutras)

#poemainacabado
Ah! Poetisa sem suspeita! 
Quem ousou destruir-te 
Deixando-te assim desfeita 
Depois de um tempo possuir-te?
É tão triste esse vazio 
Que as divindades nos deixam 
Morro aqui num calafrio 
De ideias que não encaixam.
Sendo assim já não termino 
O poema começado 
Por ficar num desatino 
De um corpo excomungado.
(Mariavaicomasoutras)