terça-feira, 5 de junho de 2018

#aprimeiravez
Na minha primeira noite de solidão fiquei com um problema nas mãos. 
Entre o sim e o não vagueiam dois corações. 
Estranho tão estranho eu sentir que o irreal acontece 
Enquanto o dia não amanhece. 
E agora? O que faço hora a hora? 
Não sei... apenas a força de um abraço me retempera se aguentar a incerteza de uma espera.
(Mariavaicomasoutras) 
#madrugadas
Meia-noite! 
Entro em casa 
Trago comigo a solidão de mão dada. 
Que grande desavergonhada!
Uma hora! 
Vagueando pela casa 
Há uma memória que me arrasa 
Piscando o olho à solidão.
Duas! 
Já são duas! No fanhoso do relógio 
Que por mais que uma vez 
Vindo a correr me diz: 
Liga....liga.....liga!
Três! 
Vês ! Podia ser tal a surpresa! 
Mas é possível que nao ouças, 
Tudo aquilo que te digo 
Sobre esses sonhos bonitos.
Quatro! 
Uff! Aguenta, que assim vais mais longe! 
O sonho não é enfadonho! 
É lindo! É fantasia! É carinho! 
E é amor tudo o que sinto!
Cinco! 
O coração bate forte, numa noite em que o tempo 
Impede na ponte a passagem 
Com um fio que é tão ténue quanto o é a interdição.
Faz-se então uma resenha 
De tudo o que ali foi dito 
Paira no ar sem castigo um intenso sentimento 
Nascido na madrugada mais clara 
Sem qualquer constrangimento.
(Mariavaicomasoutras) 

domingo, 3 de junho de 2018


#fantásticoéoburro
Não dormi de noite pois fui sacudido
Pelo movimento que  à  minha  volta
Quase sempre  pairava
Senti  penas oriundas das asas
De uma série de anjos
Espirrei e tossi deve ser alergia
Nunca pensei  que isso  acontecia.
Levantei-me,  sem demora
E logo me cravo nos chifres do demo
Roguei-lhe uma praga
Mas ele, teimoso, pensam que  desarma?
Pois sim, virou-se para mim
Encostou-me ao peito o agressivo  tridente
E com ar sorridente  aquele  chifrudo.
Deixou-me sem  fala.
Não  fosse  domingo dia do Senhor
A quem clamei ali numa prece
Neste  dado momento talvez estivesse
Assado no espeto rodeado de virgens
Pouco imaculadas pela sua desdita
E a ser  devorado por mil cães famintos
De uma raça maldita!
(Mariavaicomasoutras)

sábado, 2 de junho de 2018

#apogeueocaso
Envolto em mil mistérios 
Tento falar com as estrelas 
Todas elas são tão belas 
Rodeiam-se de assuntos sérios.
De tão fixo o meu olhar 
No esplendor do firmamento 
Deparo-me por momentos 
Com um estranho brilhar.
Isto que me aconteceu 
Será que foi por mero acaso? 
Não sei, pois chegou o apogeu! 
Confirmo depois do ocaso!
(Mariavaicomasoutras) 
#segredo

Temo de mim um desencanto
Neste desafio de um momento
Que não  me deixa noite  fora
Esquecer o que sinto  cá  por dentro.

Temerária a sombra de  mim foge
Qual raposa à  espera de uma presa
Pois que o passado assim  persegue
Quem com ele se senta à  mesa.

Eu ficarei sem mais  dizer da vida
Por não querer sangrar a ferida
Não porque  disso tenha medo

Somente não  gostaria  de perder
O que  aprendi um dia a conhecer
Mas  comigo permanece  em segredo.

(Mariavaicomasoutras)
#estranhasolidão
Sentado, calado, introspectivo 
Assim estou até sentir um arrepio 
Será que é por estar frio 
Ou será outro o motivo? 
Palavras pronunciadas pela escrita? 
Medo de Fantasmas ou de perder a razão? 
Há coisas que não se explicam. 
Claro que não... sentem-se completamente 
No rápido bater de um sofrido coração! 

Asfixiado, imobilizado atrás de um teclado 
Que nada me diz mas é o único 
Que nunca me deixou abandonado 
Deixo que o arrepio me trespasse 
Sangrando um incrível desenlace 
Nunca de verdade sonhado um dia 
Por um qualquer príncipe encantado 
Ou por uma bela adormecida 
Que de um frente a frente se arredia!
E assim em silêncio eu permaneço 
Até que a libertação logo aconteça 
Acabando um qualquer dia 
Por chegar à paz que então mereça 
De uma forma simples e real 
Bem longe da ilusão de uma louca fantasia 
Que naquela estranha solidão navegava 
Pois pensava que tudo já sabia 
Mas que afinal na realidade ignorava.
(Mariavaicomasoutras) 

sexta-feira, 1 de junho de 2018


#insonia
Talvez por ser o dia da criança
Caí no mundo real.
Aquele onde os sonhos
Transformados em pesadelos
Nos lembram que afinal
Há complexos medonhos
Voltas e mais voltas
Na imensidão de uma cama
Vazia e desmesuradamente fria
Por mais roupa que coloque
Não resulta porque o frio
Faz parte é de uma outra história.
Podia nem ser assim
Já que o pensar em mim
Não tem em si nenhum mal.
Porquê? Impõe-se a pergunta!
Talvez por ser o dia da criança
Caí no mundo real.
(Mariavaicomasoutras)